ROGÉRIO GIESSEL
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“Saio daqui de alma lavada, exemplos como o do Padre Facchini me dão a certeza de que daqui a alguns anos não teremos mais fome no Brasil, o que se faz aqui poderemos espalhar pelo Brasil afora”, Essa declaração foi dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 16 de março de 2003, após conhecer uma das cozinhas comunitárias idealizadas pela Fundação Padre Luiz Facchini.
Porém, o prefeito Carlito Merss, que integra o mesmo partido de Lula, percorre o caminho contrário do presidente com a maior aprovação de todos os tempos. Na contramão de suas promessas de campanha, o prefeito de Joinville não repassou durante toda a sua gestão, nenhum recurso municipal para saciar a fome das 3 mil crianças que todos os dias almoçam nas 30 cozinhas espalhadas por Joinville. De acordo com Fachini, as cozinhas sofrem com a falta de recurso desde que ele declarou apoio a candidatura de Carlito Merss, em 2006.
O padre explica que depois disso os recursos foram retidos pelo ex-prefeito Marco Antonio Tebaldi (PSDB). Entretanto, em 2008, houve a promessa de Carlito de que os repasses seriam retomados. “Já procuramos o Carlito. Fomos perseguidos pela gestão anterior e tivemos o convênio com o município encerrado por declarar apoio ao plano de governo de Carlito. O prefeito me prometeu e deveria cumprir a promessa resgatando imediatamente essa dívida que não é minha, é uma dívida publica, do poder municipal. Isso é lei, as crianças têm o direito à alimentação, e houve a promessa do Carlito em dar continuidade nesse repasse”, desabafa Fachini.
Estado também cortou verba
A situação ficou ainda mais dramática depois que Leonel Pavan (PSDB) assumiu o Governo do Estado. Facchini explica que o governador Pavan não está mais contribuindo com o repasse de R$ 55 mil mensais, o que poderá tirar as refeições das crianças no próximo mês. “Nós estamos tentando uma negociação com o Governo do Estado para ver se eles dão continuidade ao convênio que tínhamos”, conta Luiz Fachini. A manutenção das cozinhas depende agora de uma resposta do secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert. “A última posição que nos foi dada no último dia 13 era que o Cleverson pediu mais uma semana de prazo para nos dar uma resposta definitiva”, lamentou.
Até nesse mês de julho as cozinhas possuíam um pequeno fundo, mas, para agosto o padre informa que ficará extremamente difícil alimentar essas crianças caso o dinheiro não seja liberado para a fundação. Luiz Fachini também informou que as cozinhas estão tentando outras formas de angariar recursos. Está em negociação com a empresa capixaba Solo Marketing a viabilização de um tele-doação que funcionará através do telefone 0800 276 2210, onde o doador poderá optar em contribuir com uma quantia entre R$ 5 e R$ 50, descontados na fatura de energia elétrica.
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