Jacson Almeida
jacson@gazetadejoinville.com.br
Sueli Rosa da Cunha não esperava ver o filho Tiago da Cunha, de apenas 22 anos, ir para uma missão fora do Brasil e ajudar uma população que, além de passar por vários períodos de conflitos armados, miséria e instabilidade na democracia, sofreu com um terremoto em janeiro desse ano que destruiu parte do país. O cabo será um dos 29 militares do 62º Batalhão de Infantaria de Joinville que viaja para o Haiti em missão de paz enviada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Os joinvilenses fazem parte de um grupo catarinense de 111 militares. Depois da formatura na terça-feira (20), os soldados começaram a preparação de suas malas para partir no dia 5 de agosto para Curitiba e de lá embarcar para Boa Vista, em Roraima, e depois seguir para o Haiti. Eles ficarão seis meses no país, tempo estabelecido pela ONU.
Tiago, o quarto filho de uma família de cinco irmãos que reside no bairro Fátima, entrou para o exército em 2006 já com o objetivo de ir para a missão de paz no Haiti, considerada por todos “a missão das mais nobres que o militar pode receber em sua carreira”.
Para integrar a equipe, soldados passaram por uma triagem médica, psicológica, além da indicação do comandante. Para o preparo, ficaram, aproximadamente, cinco meses treinando em Florianópolis, Ponta Grossa, Joinville e Curitiba. “Fizemos um treinamento para ambientar o soldado com o Haiti, mostrando sobre o país e sua cultura, idioma, religião e costumes”, explica o subcomandante André Cabral.
Desde 2004 o Brasil atual, no Haiti pela missão da ONU. “Temos que dar segurança, manter o ambiente tranquilo para o habitante abrir seu comércio, por exemplo. E, apoiar e ajudar para a eleição”, destaca André. Segundo ele, mesmo depois do terremoto, que atingiu e destruiu parte do país, o trabalho do exército continua e a situação está bem.
Questionado como é para um soldado ir a uma missão desse tipo, Tiago Cunha destaca a grande experiência pessoal. “Vou poder ajudar um povo que precisa”, relata ele, que lutou contra a vontade dos pais, que não queriam a entrada no exército com medo da difícil vida de soldado. Mas, depois que entrou, Tiago mostrou que não era bem como os pais pensavam. “A vontade de ser um soldado nasceu com as histórias de meu tio, que serviu o exército”, diz.
Sua namorada, Aline Piovisana, vai ter que esperar pelo menos seis meses para a volta de Tiago, mas já está preparada. “Vai ser muito difícil, mas será importante para ele e o Brasil”, diz Aline.
Os catarinenses estarão alojados na base principal na região de Cité Du Soleil, na capital do país, Porto Príncipe. Segundo o subcomandante André Cabral, a rotina dos soldados será um dia de serviço, um de sobreaviso e um dia de patrulha, sem folgas.
Conflito armado e instabilidade política marcam Haiti
Habitantes do Haiti tiveram poucos momentos de paz no decorrer da história. O país passou por diversos períodos de instabilidade na democracia e conflito. Em 12 de janeiro desse ano, para piorar a situação do país mais pobre das Américas e que apresenta um dos piores IDH (Índices de Desenvolvimento Humano) do mundo, um terremoto de 7,3 na escala Richter devastou o país.
Um dos piores momentos foi após a derrubada do presidente Jean-Bertrand Aristide, em 2004. O país entrou em conflito e a ONU enviou uma missão para estabilizar o Haiti. No entanto, os conflitos políticos começaram ainda sob o domínio espanhol, antes de 1697, e depois sob domínio francês. Além disso, o Haiti viveu sob invasão militar americana durante 20 anos (entre 1915 e 1934), combatida por guerrilha. Mais recentemente o país viveu sob a ditadura que durou até 1986.
A missão de paz da ONU começou em 2004 para desarmar grupos guerrilheiros, restabelecer o processo político do país e ajudar a formar o desenvolvimento econômico do Haiti.
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