A imprensa brasileira
recentemente acatou como verdadeira uma entrevista dada por telefone
por alguém que se identificou como Taíza Thomsen.
Fato que não convenceu o próprio pai da ex-miss e
alguns jornalistas que acompanham o caso. Além disso, informações
divulgadas pela suposta Taíza são falsas.
Taíza nunca esteve presa, é o que confirma a Scotland
Yard em Londres, mesmo apesar de “Taíza” ter
dito no telefone ao repórter da revista IstoÉ, que
esteve presa por 30 dias pela imigração inglesa.
A suposta Taíza também errou sobre o vencimento do
visto. Ela afirma que acabou presa com o visto vencido em dezembro
de 2006. No entanto o visto da brasileira só venceu em janeiro
de 2007. A informação foi passada pelo presidente
da Abras, Carlos Mellinger. “Esta prisão implicaria
em deportação certa, coisa que não aconteceu”,
confirma Carlos.
A pessoa que falou para “Isto É” afirma que Taiza
trabalhou como stripper na Sunset para ajudar uma amiga que estava
doente. “Ganhei muito menos do que disseram, menos de R$ 2
mil por semana”. Mas segundo o proprietário da boate,
Taíza recebia 800 libras por semana, o que equivale a quase
R$ 4 mil, e segundo as colegas que também trabalhavam no
clube, Taíza era tratada de modo especial, com dinheiro e
presentes.
A ex-miss não deu entrevista a nenhum jornal londrino, não
foi fotografada, e suas declarações parecem mais direcionadas
a defender o interesse de terceiros, como a suposta amiga Cida,
uma cartomante que vive no interior de São Paulo, classificada
na entrevista como uma “segunda mãe”, e também
para desmentir envolvimentos amorosos e com prostituição.
Nem advogado acredita na ligação
O advogado Flávio Tavares, que tem escritório em Juiz
de Fora (MG) e cuida doprocesso que Taíza Thomsen move contra
os organizadores do concurso miss Brasil, afirma que Taíza
Thomsen não entra em contato com ele desde quando foi tida
como desaparecida. “Preciso do comparecimento dela por causa
do processo que ela ganhou aqui em Belo Horizonte. Ganhamos uma
indenização alta e ela desapareceu, não me
dá notícias”, reclama.
Sobre a suposta entrevista para a revista IstoÉ e reproduzida
pelo jornal A Notícia, o advogado é taxativo “Eu
também tenho essa dúvida, se foi ela quem deu a entrevista.
Porque ela não falou nada comigo. E ninguém sabe dela,
pô!”.
Tavares reclama que o caso do processo que ele defende foi citado
na revista. Na ocasião a jovem teria dito que o advogado
era quem não entrava em contato com ela. Porém a história,
segundo ele, é ao contrário. “É dinheiro
que ela tem pra receber! Acho estranho ela não fazer contato
comigo”, se defende Tavares. A entrevista deixou ainda mais
dúvidas no ar. Inclusive sua veracidade.
O próprio repórter da revista IstoÉ, Alan Rodrigues,
afirmou que não conseguiu pegar os contatos de Taíza.
Disse também que não gravou a conversa com a mulher
que telefonou. O pai de Taíza, Antônio Thomsen, essa
semana também afirmou ter dúvidas sobre a entrevista.
Antônio, no entanto, é enfático ao afirmar que
ela está sendo perseguida.
Nas altas rodas da sensualidade
A passagem da ex-miss Brasil por casas de stripper é uma
certeza. Entre elas a Sunset Strip, casa onde as meninas dançam
totalmente nuas, rebolando num palco junto aos clientes. Para entrar
na casa se paga 15 libras. As meninas ganham gorjetas que os homens
jogam no palco ou colocam nas peças íntimas que vão
sendo tiradas a cada minuto de dança.
Uma das garotas afirmou que ali se ganha em média 200 libras
por dia. As meninas trocam telefones com os clientes para “saídas”
extras e particulares.
Na Sunset, as strippers não param. As meninas ficam em rodízio
se exibindo num palco a meio metro do chão. Na parede um
sofá onde deitam e fazem posições as mais sensuais
possíveis. As garotas após ficarem totalmente nuas
fazem acrobacias. Entre as mais de maior impacto estão as
posições comprometedoras características deste
tipo de boate, inclusive de cabeça para baixo, com a genitália
em nu frontal.
A garota que conversou conosco afirmou que Taíza Thomsen
era tratada como se fosse uma rainha. “O dono aqui da casa
encheu ela de dinheiro, ele era louco pela Taíza”,
disse uma jovem que pediu para não ter seu nome revelado.
Outras garotas de stripper em Londres afirmam que Taíza passou
por pelo menos mais duas casas do gênero. Na semana passada
mais uma informação. Taíza teria trabalhado
esporadicamente na Stringfellows. O local é freqüentado
pela mais alta sociedade inglesa. É comum passarem por lá
artistas como músicos e atletas bem-sucedidos. Para ficar
cerca de uma hora o visitante não gasta menos de 100 libras,
o que daria cerca de R$ 390,00. O Stringfellows funciona como casa
de stripper e restaurante. É normal também que casais
freqüentem o ambiente.
Taíza na lista da cafetina Gigi
Em dezembro de 2006 foi presa uma mulher chamada Giselda Oliveira,
conhecida como Gigi, em São Paulo. Gigi era considerada uma
espécie de “rainha das stripper” e garotas de
programa da capital paulista. Na época, a “lista da
Gigi” foi tema de grande suspense, por revelar nomes de políticos
e pessoas de alto poder aquisitivo no Brasil e exterior. Uma fonte
dentro da Polícia Federal informou que Taíza aparece
na lista da Gigi, não como cliente, mas possivelmente como
uma colaboradora. Ainda não foi confirmado se as duas eram
apenas “amigas” ou a relação era realmente
profissional. |