Política
 
Funcionário nomeado por Tebaldi
paga R$ 10 mil para atacar Carlito
 
A disputa eleitoral para 2008 saiu da verborragia de bastidores e invadiu as ruas de Joinville. E uma coisa é certa: Alguém deve estar muito preocupado com a colocação de Carlito Merss nas pesquisas pré-eleitorais, tanto que se dispôs a gastar mais de R$ 10 mil para tentar desqualificar o deputado.

Para isso usada uma matéria do Jornal A Notícia, já negada por Carlito, em que ele teria opinado a favor do aborto. Em nota, o deputado repudiou a campanha patrocinada pela Comam – entidade que se apresenta como representante das associações de moradores – afirma que a ação tem cunho eleitoral, e questiona a iniciativa destacando que o ato é completamente estranho aos estatutos da entidade. “Configura uma grosseira manipulação do movimento popular e método covarde de fazer a disputa política contra o único deputado federal eleito da cidade”, reclama.

Em sua entrevista ao Jornal A Notícia, Carlito teria tão somente se posicionado favoravelmente às declarações do ministro da Saúde acerca do cumprimento da atual legislação e da obrigação do SUS de atender as 250 mil mulheres brasileiras que são vítimas de mutilações e seqüelas físicas em virtude de abortos mal-sucedidos. A declaração foi interpretada pelo repórter como uma manifestação favorável ao aborto, proposta negada anteriormente pelo próprio Carlito.

Mas, a matéria caiu como uma luva para os grupos que temem perder poder em uma eventual dobradinha Carlito/Kennedy. Usando a Comam, entidade cujo presidente Jairo José de Almeida, funcionário nomeado pelo prefeito Marco Tebaldi como coordenador na Secretaria de Infra-estrutura e que vive enrolado em inquéritos policiais, processos e denúncias de ameaças, os outdoors foram espalhados pela cidade.

A assessoria jurídica do deputado foi à luta. Além do dano moral, o deputado já entrou com pedido em liminar para retirar os outdoors. “Não seria proibido (colocar os outdoors) se fosse verdade. Mas é mentira. E reproduzir inverdade é crime”, sustenta a advogada Eliana Pavanelo. A ação com pedido em liminar já está no Judiciário. A advogada quer a retirada imediata de todos os cartazes.

O homem do trabalho sujo

Mas afinal, quem é Jairo José de Almeida, o pretenso líder comunitário que por anos vem se firmando como presidente de uma entidade que se arroga representante de todas as associações de moradores? O Judiciário, a polícia e mesmo os próprios vizinhos ajudam a estabelecer o perfil do funcionário de confiança nomeado pelo prefeito que, apesar de reclamar da crônica falta de dinheiro da associação de moradores que preside, gastou mais de R$ 10 mil em outdoors para atacar um deputado e agradar o chefe. Jairo de Almeida coleciona processos, inquéritos policiais e não se constrange em usar até mesmo a ameaça de violência contra qualquer um que se insurgir contra seus privilégios. Acenar para políticos como figura influente na comunidade e assim garantir benesses do poder público também é prática constante.

A folha corrida de Jairo José de Almeida começa com um processo crime por furto, acusado pela empresa América Latina Logística, crime que poderia lhe render uma condenação de um a quatro anos de prisão caso condenado, mas que prescreveu antes da sentença. E não é só. Conforme os moradores da rua Kesser Zattar, no bairro João Costa, Jairo José de Almeida passou a reagir com violência às criticas de malversação como presidente da Associação de Moradores do João Costa, cargo que precisa manter para se garantir a frente da Comam e assim assegurar a manutenção de privilégios que desfruta na Prefeitura.

O estado de abandono da associação de moradores local, onde Jairo teria até alugado a sede da entidade para um cunhado, é motivo de revolta no bairro. Semanas atrás, contrariado porque uma moradora resolveu denunciar a situação à imprensa, Jairo foi até sua casa, e aos palavrões, fez ameaças caso ela continuasse reclamando. O fato rendeu um boletim de ocorrência no 5º DP.
E os problemas não param por aí. Apesar de presidente da associação do João Costa, Jairo de Almeida, na verdade, fixou residência no Morro do Amaral. E por lá ele também já arrumou problema com vizinhos.

O morador Linésio Voltolini, outra vítima do poderoso e influente Jairo, denunciou que o pretenso líder comunitário construiu uma petisqueira com direito a trapiche com materiais e máquinas da Prefeitura. “Falavam que no local seria construída uma creche; trouxeram para ali mais de 40 caminhões de barro, retroescavadeira, tudo da Prefeitura, mas no final não tinha nada de creche; era para melhorar a propriedade dele”, denuncia. “Falta material para melhorar as pontes de madeira pela cidade, reclamam que não tem saibro para as ruas, mas na propriedade dele a Prefeitura não deixa faltar”, reclama.

Contrariado com o vizinho que resolveu sair do silêncio e reclamar das benesses com dinheiro público, Jairo também passou a ameaçar Linésio, e desta vez de morte. Linésio não se intimidou, registrou o ocorrido na polícia e o assunto já está no Juizado Especial Criminal.

Jairo José de Almeida foi procurado para falar sobre os outdoors e as denúncias dos vizinhos, mas preferiu desligar o telefone sem dar sua versão dos fatos.