Editorial
 
Em favor da vida
 
Estima-se que no Brasil ocorram por ano mais de um milhão de abortos ilegais. Sendo que até 10% desses casos possam levar as mulheres a óbito.

Uma pesquisa divulgada pela Federação Internacional de Planejamento Familiar, entidade que atua em 150 países, revela que mais de 230 mil brasileiras foram internadas na rede pública, em 2006, devido a complicações ocasionadas por abortos clandestinos, o que dá quase 700 por dia.

O aborto, cuja origem está na palavra latina ab-ortus, ou seja, “privação do nascimento” é considerado crime no Brasil, exceto em duas situações: de estupro e de risco de vida materno.

Mas, mesmo na ilegalidade e com grande risco de morte, é que muitos futuros pais e mães tomam atitudes deliberadas em busca de uma “solução” imediata ao que consideram um problema: o nascimento de um filho indesejado. E assim, todos os dias, gestantes em risco social acabam recorrendo a abortos realizados muitas vezes de maneira precária de modo a colocar em risco sua própria vida.

Então cabe ao Estado ampliar o atendimento justamente a essas vítimas de abortos clandestinos mal-sucedidos e que são, sim, de responsabilidade do governo. Foi o que declarou o deputado federal Carlito Mers (PT), recentemente em uma entrevista a este jornal e a outros da cidade.

Apesar de Carlito ser contra o aborto, não é contra quem os comete. Mesmo assim, o deputado teve a sua declaração distorcida e aplicada de maneira leviana em uma campanha de outdoors veiculados pela cidade. Mas que facilmente revelam-se infundadas e criadas por alguém que manipula entidades comunitárias e se apóia nas barbas do poder público municipal.

O mais estranho é o silêncio gritante entre os governantes em relação a estas práticas que não fazem mais do que difamar ao invés de trazer as questões ao debate. Uma exceção foi o deputado Nilson Gonçalves, que declarou que esta campanha difamatória é “uma maldade de gente que faz política baixa, nojenta e rasteira”.