| A busca pela justiça
é o ideal de todos. Para Álvaro Aguiar Garcia não
é diferente. Ele perdeu seu filho em virtude de um buraco
em uma curva no dia 25 de maio desse ano.
Agora vai processar a prefeitura por tudo que sofreu e continua
sofrendo com a perda de Maico Eleu de Aguiar Garcia. A intenção
é que casos como esses sejam evitados. “Não
dá para deixar assim”, indigna-se Álvaro,
“Temos que evitar que outras pessoas sintam isso que eu
sinto”, complementa ainda triste quando se lembra do filho.
Para isso, ele vai entrar com uma ação contra a
prefeitura para que “doa no bolso deles, esse é o
único jeito de eles sentirem”. A intenção
não é negativa no sentido de vingança, mas
ao contrário o ato prevê o bem público, para
que não ocorram mais tragédias.
De acordo com o advogado Luis Felipe do Nascimento Moraes, que
moverá a ação, a prefeitura não fez
nada para suprir o fato. “O buraco estava lá há
três meses. Depois de três acidentes, o último
fatal, nada de remediar. Não tinha qualquer tipo de aviso”,
aponta. Maico trabalhava junto com o pai, por isso, Moraes entrará
com uma ação pela questão moral e negocial.
“Agora o Álvaro está sem manejar o negócio
com o auxílio do filho”, aponta o advogado.
“Em função disso, entraremos com uma ação
contra a administração pública na Justiça
Comum”, explica Moraes. Ele revela que existem vários
processos contra a prefeitura pela má gestão da
‘coisa pública’. “Um exemplo são
profissionais da saúde e professores que foram contratados
sem concurso público e tiveram problemas por isso. Mas
a culpa não foi deles, mas da prefeitura”, afirma
o advogado.
Relembrando o caso
Maico Eleu de Aguiar Garcia, 20 anos, era um jovem que ajudava
seu pai no trabalho. Um dia ele pilotava sua moto na rua Marechal
Hermes, carregando a sua noiva na garupa. Em uma curva fechada,
próximo ao número 270, ele tentou desviar de um
buraco que atrapalhava o trânsito no local. Porém
tentaram colocar piche para tapar a cratera. Com o passar dos
carros, a tentativa se transformou em armadilha. No material que
deveria resolver o problema, Maico derrapou, perdeu o controle
da motocicleta, se desequilibrou no meio-fio e bateu no poste.
O guidom da moto atingiu o abdômen de Maico e causou uma
hemorragia interna. Sua noiva caiu no asfalto e apenas machucou
o joelho. A contusão causou a morte do jovem que completaria
21 anos no dia anterior. Desde então, até hoje nada
foi feito para remediar a terrível perda do pai.
Vítima de tiro da Polícia
Militar quer indenização
Outro caso que também resultará em ação
judicial é o de Paulo André Pauletti. O eletricista
levou um tiro de policiais quando passava por uma emboscada em
forma de blitz escondida atrás de uma curva próxima
ao viaduto não finalizado do eixo sul da BR 101.
O eletricista ficou paraplégico e agora deve processar
o Estado em busca de indenização.
O advogado do rapaz, Jovenil de Jesus Arruda, aponta que antes
de entrar com a ação, ele estava esperando os inquéritos
policiais da Militar e da Civil. Isso porque as testemunhas apresentadas
pela família para o representante legal não tinham
a confirmação absoluta dos fatos. Agora com as testemunhas
presentes nos inquéritos internos, Arruda complementará
o processo.
O Inquérito Policial Militar (IPM) do caso está
próximo da fase de conclusão. As testemunhas já
foram ouvidas e é aguardado o resultado do exame de balística.
A seguir, o promotor da Justiça Militar pode denunciar
ou não os acusados. Por outro lado, o inquérito
da Polícia Civil está em seu início. Paulo
Pauletti ainda vai ser chamado para depor.
Independente destes inquéritos, o advogado já poderia
ter entrado com a ação, mas agora com mais dados,
ele está finalizando o processo e nas próximas semanas
iniciará os trâmites legais em busca da indenização.
O trabalhador, de 27 anos, permanece com as mesmas dificuldades
desde maio desse ano. Paulo não consegue andar nem controlar
a vontade de ir ao banheiro. Em busca de melhorias, ele começou
a fazer fisioterapia na última quarta-feira pela Associação
dos Deficientes Físicos de Joinville (Adej), e inicia em
agosto a mesma atividade pelo Sistema Único de Saúde
(SUS). Para o tratamento na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação,
a documentação está sendo providenciada.
Esse é o caminho para o sonho do eletricista de voltar
a andar.
Relembrando o caso
Na noite de 11 de maio, Paulo André Pauletti foi a uma
confraternização de jovens no viaduto não
finalizado do eixo sul da BR 101. Após permanecer uma hora
no local, uma viatura da Polícia Militar subiu o caminho
vindo da rodovia com o giroflex ligado. Desta forma, as pessoas
partiram na direção contrária. Depois de
uma curva, vários policiais os esperavam sem nenhuma sinalização
de blitz. Paulo ficou para trás e não viu a barreira
formada. Assim, ele não teve condições de
parar e passou pela blitz. Com isso, o motociclista sofreu um
golpe de cacetete e depois um tiro desferido por um policial.
O trabalhador perdeu o controle da motocicleta e caiu. Meia hora
depois, os agentes ainda maltrataram-no com chutes e insultos.
Posteriormente, ele foi levado ao hospital. Desde então,
Paulo não anda mais e sofre diversas outras dificuldades.
Até mesmo platina foi colocada em sua coluna para permanecer
pelo menos sentado.
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