| Todos os bons jornalistas
sabem, há algum tempo, quem convidou o deputado Kennedy
Nunes para mudar de lado. Sabiam que essa iniciativa só
poderia ser tomada com a aquiescência do comandante da operação
que visa barrar a entrada do PT na Prefeitura de Joinville: o
governador Luiz Henrique da Silveira. Para a difícil missão,
ele escalou um dos seus mais antigos e leais escudeiros, e que
já tinha obtido sucesso ao recrutar o médico Dalmo
Claro de Oliveira para as suas fileiras. O resultado todos já
conhecem. Kennedy preferiu ficar na oposição, ao
lado de Carlito Merss.
Só que isto é história
antiga, requentada agora pelos radialistas oficiais para abafar
um fato da maior gravidade no cenário político:
o julgamento do pedido de cassação por abuso de
poder econômico do governador Luiz Henrique e de seu vice
Leonel Pavan. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reuniu no
último dia 10 para ouvir o parecer do relator do processo,
ministro José Delgado, que decidiu votar pela cassação
dos acusados. O julgamento foi suspenso logo em seguida devido
ao pedido de vistas de outro ministro, Ari Pargendler. A votação
deverá ser reiniciada na próxima semana.
É a segunda vez que um
relator escolhe a guilhotina neste mesmo caso. No julgamento ocorrido
aqui no Estado, o desembargador José Trindade dos Santos
do TRE/SC também decidiu pela perda do mandato da dupla
LHS/Pavan. No entanto, em Santa Catarina o resultado final do
tribunal eleitoral foi pela absolvição. Agora, longe
do seu centro de poder, o rei está em cheque. A luz amarela
acendeu no comando do governo estadual com o voto do relator em
Brasília. Para ganhar musculatura e enfrentar esse difícil
processo, foi contratado para reforçar a defesa o advogado
José Eduardo Alckmin, ex-ministro do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE). As chances do governador e seu vice escapar da
cassação aumentaram, mas a situação
continua grave. A questão principal não é
saber de que lado Kennedy está, mas qual será a
saída de Luiz Henrique para se livrar deste cheque-mate.
|