Mistério
 
Cheques do dono da Engepasa
para político vão parar na Justiça
 
Ex-prefeito cobra cheques num total de R$ 192 mil de Álvaro Gayoso Filho
 

Uma ação judicial que corre na 2a Vara Cível da Comarca de Joinville promete incendiar ainda mais o ambiente político na Capital do Estado, envolvendo o prefeito de Florianópolis Dario Berger (PSDB), o ex-prefeito de São José Vanildo Macedo (PFL-PSDB) e o empresário Álvaro de Calazans Gayoso Neves Filho, da Engepasa Ambiental, empresa que até o mês passado era responsável pela destinação do lixo dos josefenses.

Através da ação 03805033758-8, o ex-prefeito de São José está cobrando judicialmente três cheques de R$ 60 mil emitidos pelo empresário. O valor total da dívida, somado juros e custas está em R$ 192 mil. A ação está mãos do juiz Yhon Tostes, que já deferiu até a penhora em dinheiro diretamente das contas do empresário. Mas, o total seqüestrado não foi suficiente para saldar o total da dívida e a pendenga judicial ainda vai demorar até uma decisão final.
Mas, o problema da dívida entre o ex-prefeito e o empresário dono de concessões públicas vai além da pendenga judicial.

A dúvida que salta aos olhos, na verdade, é quanto a origem da dívida: prometida e não cumprida de ser paga em três prestações de R$ 60 mil, um valor substancial, especialmente para o momento em que a Engepasa teve seu contrato encerrado pela prefeitura.

Os negócios entre o empresário Gayoso Neves Filho com a cidade de São José tiveram início em 2004, pouco antes do processo eleitoral daquele ano. Foi quando o então prefeito Dario Berger (PSDB) deu início à licitação para a escolha da empresa que seria responsável pela coleta e destinação final do lixo, um contrato de milhões e especificações muito especiais previstas no edital. Uma segunda empresa concorrente no processo licitatório chegou a questionar o edital, acusando o processo de ser direcionado justamente para a Engepasa, única que preenchia o quesito de especialização em cobrança direta com o usuário (sistema adotado em Joinville).

Vencida a licitação, coube justamente ao então vice-prefeito Vanildo Macedo, que acabou herdando a administração da cidade, assinar o contrato de concessão, em outubro de 2004, e assim estreitar os laços com o empresário Gayoso Neves Filho. E foi justamente ele (Gayoso) quem emitiu os três cheques de R$ 60 mil.

No entanto, quando a empresa começou a cobrar diretamente da população josefense a tarifa pela coleta de lixo, começaram também os problemas. A partir de 2005, com a administração do atual prefeito Fernando Elias (PSDB), os interlocutores já não eram mais os mesmos. Quando os carnês começaram a chegar nas casas, a tarifa estava, em média mais de 40% mais cara. A população parou de pagar e contestar. Uma CPI na Câmara de Vereadores, conhecida como a CPI do Lixo, foi constituída para investigar o contrato com a Engepasa. O relatório da CPI concluiu que o edital da licitação, assinado por Dario Berger, era irregular; que a Engepasa não dava destinação final para o lixo, como ficou acertado; e também que não havia destinação final do lixo. As conclusões foram entregues para o Ministério Público e ao Tribunal de Contas. Compelido pela situação, o prefeito revogou o contrato de concessão. E agora, o ex-prefeito Vanildo Macedo cobra na Justiça dinheiro que não recebeu do empresário, misteriosos R$ 192 mil, divididos em três cheques, mais juros e custas.

O empresário Álvaro de Calazans Gayoso Neves foi procurado em sua empresa, a Engepasa Ambiental, para falar da origem da dívida. A secretária respondeu que ele não estava e não retornaram as ligações. O ex-prefeito Vanildo Macedo não foi encontrado para falar da sua cobrança.


Futuro de Luiz Henrique nas mãos do TSE. Relator votou pela cassação


O ministro José Delgado, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu a cassação do mandato do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Delgado é relator de um processo no TSE que acusa Luiz Henrique de abuso de poder econômico durante a eleição de 2006.

O julgamento foi suspenso na noite de quinta-feira (9) após outro ministro, Ari Pargendler, ter pedido vista (mais tempo para analisar o processo). Segundo a assessoria de imprensa do TSE, é provável que o julgamento continue na próxima terça-feira. No entanto, não há prazo específico para retomada do caso quando há pedido de vista.

Trata-se de um recurso contra expedição do diploma proposto pela coligação adversária Salve Santa Catarina (PP, PMN, PV PRONA), que representa o adversário de Luiz Henrique na disputa do ano passado, Esperidião Amin (PP). Luiz Henrique é acusado de uso indevido de meios de comunicação social, propaganda ilegal do governo e ter as despesas pagas pelos cofres públicos.
Luiz Henrique se afastou do cargo durante as eleições, mas, no entendimento da acusação, contou com o apoio do vice Eduardo Pinho, que assumiu o governo e apoiou a candidatura.

De acordo com a assessoria de imprensa de Luiz Henrique, a ação é fruto de “inconformismo” dos adversários em razão do resultado da eleição. Segundo a assessoria, o governador recebeu com “tranqüilidade” o voto do relator, uma vez que o TRE já arquivou a mesma acusação e o Ministério Público Eleitoral considerou que o pleito foi “legal”.

Ainda conforme a assessoria, o governador “foi o único que renunciou um ano antes, justamente para que não pudesse ser acusado de uso da máquina”. Luiz Henrique avalia que trata-se de uma disputa local, já que venceu também em outras ocasiões eleições contra Esperidião Amin.

Paraíba

O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), teve o mandato cassado no fim de julho pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de seu estado por abuso de poder econômico.
Cunha Lima foi acusado de ter distribuído cerca de 35 mil cheques da Fundação de Ação Comunitária (FAC) sem critérios técnicos para se favorecer na disputa. O governador entrou com recurso no TSE e o tribunal decidiu que ele deve ficar no cargo até uma decisão final.

 
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