PROPINA
 
R$ 35 mil na conta do prefeito
 

Não adiantou triangular a distribuição do dinheiro, forjar convênios e se aliar a estelionatários para embolsar recursos do município. Depois de quase um ano de muita investigação, sigilos bancários quebrados e horas de escutas telefônicas (devidamente autorizadas pela Justiça), o promotor Assis Marciel Kretzer, do Ministério Público Estadual denunciou o prefeito Marco Tebaldi (PSDB) por crime contra a moralidade administrativa e enriquecimento ilícito (artigos 9º e 10º da Lei 8.429/92), com penas que vão desde o ressarcimento do que foi desviado dos cofres públicos até a perda de mandato com suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos.

O prefeito Marco Tebaldi e outras dez pessoas estão sendo denunciadas pelo desvio de R$ 100 mil, que seriam destinados para a promoção do 15º Congresso Nacional de Vereadores, evento realizado entre 10 e 15 de março de 2002.

O dinheiro saiu da Prefeitura e caiu nas mãos de Jair Pedro da Costa Louzada, homem bom de conversa e muitos amigos, que fez o dinheiro público desaparecer entre depósitos em contas de parceiros, cheques e transferências. A denúncia também cita o nome de Maria José Duarte, que circulava pelos gabinetes das autoridades do município ao lado de Louzada vendendo a idéia do congresso. Conforme a denúncia, “ela ainda articulou o pagamento de “propina” a Tebaldi, de maneira que influiu para aplicação irregular da verba, facilitou e concorreu para que terceiros se enriquecessem ilicitamente”.

A propina, no caso, correspondia a quantia de R$ 35 mil, em um cheque emitido pelo aposentado Luiz Carlos Pereira Silva, na época companheiro de Maria José, que lhe emprestou o cheque que por duas vezes foi depositado na conta particular do prefeito, mas voltou por falta de fundos.

Conforme a denúncia, para cobrar o cheque, Tebaldi teria entregue o documento para Odilon Alves, o popular Keno, chefe do Departamento de Patrimônio da Prefeitura e seu homem de confiança. Por sua vez, Keno pediu a colaboração de uma assessora jurídica da municipalidade: “O Tebaldi quer que a senhora cobre esse cheque o mais rápido possível”, explicando que “embora o emitente do cheque fosse Luiz Carlos Pereira da Silva, quem efetivamente deu o cheque “em garantia” a Tebaldi foi a tal Maria José”, diz o depoimento. Os detalhes estão relatados nos três volumes de documentos que acompanham a denúncia do promotor.

E não é só Tebaldi que figura na Ação Civil Imputando Improbidade Administrativa. Também vão responder ao processo o ex-prefeito e governador Luiz Henrique da Silveira; o Convention Visitors Bureau e seu presidente José Raulino Esbiteskoski; Jair Pedro da Costa Louzada, o arquiteto da trama que já tem histórico de estelionato e até estupro; Maria José Duarte, José Escobar Cavalcante; Tripservice – Agência de Viagens e Turismo Ltda; Samuel de Miranda Heusi; Flávio Luiz Furtado e Paulo Roberto Furtado.

O caminho do dinheiro

Conforme a denúncia, a Prefeitura de Joinville usou, de maneira “fraudulenta” uma simulação de convênio como o Convention Visitors Bureau e seu então presidente José Raulino Esbiteskoski, que aceitou receber e devolver os R$ 100 mil que seria para o congresso. O dinheiro entrou na conta do Convention e saiu para outra conta da Prefeitura. No dia 19 de setembro de 2001, um débito foi autorizado e o dinheiro saiu por ordem de pagamento para uma conta no Besc. No mesmo dia 19 saiu um cheque administrativo no valor de R$ 100 mil nominal à União dos Vereadores do Brasil, entregue a Louzada.

Ele depositou o dinheiro na conta da Tripservice de Itajaí, que ficou com R$ 10 mil e devolveu a Louzada cheques menores perfazendo o total de R$ 90 mil. “A maior parte dos cheques citados foi sacado pelo favorecido Louzada. É possível, todavia, deduzir que este se aproveitou de R$ 20 mil, entregou R$ 35 mil a Marco Antônio Tebaldil, destinou outros R$ 35 mil a Flávio Luiz Furtado e depositou R$ 5 mil na conta de José Escobar Cavalcante”, relata a denúncia.

Dentre os pedidos, o promotor Assis Kretzer pede na denúncia para oficiar o Bancoob de Joinville para requisitar extratos do Prefeito Marco Tebaldi no período de setembro de 2001 a dezembro de 2002 (lembrando-se que já houve quebra de sigilo bancário deste). Além disto, ele também pede a condenação “declarando os requeridos ímprobos”, obrigando inclusive a ressarcir os cofres públicos, além da perda de mandato e a suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos.

Com quem Tebaldi faz negócio?

Jair Pedro da Costa Louzada, o homem que desfilou pelos tapetes do poder em Joinville arregimentando parceiros e sócios tem um passado típico de bandido, que não fica a dever a nenhum dos hóspedes de nosso presídio ou penitenciária.
Sua extensa folha criminal começa em 1973 com nove furtos e roubos; um caso de estupro em Capão da Canoa (RS) em 1996; além de denúncias por estelionato em Carazinho (RS), São José (SC), Blumenau (SC), São Francisco do Sul e Florianópolis.

Apropriação indébita e ameaças também estão entre os crimes relacionados em sua ficha. A última vez que a Justiça teve notícia de Louzada ele estava no Espírito Santo. Ele é considerado foragido.


Veja cópia do cheque

 
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