| A decisão é
de Marco Antônio Tebaldi: a tarifa de ônibus sobe
R$ 0,10, ou 4,65 em números percentuais a partir da zero
hora de domingo, 26 de agosto. Com esta decisão, o prefeito
aumenta ainda mais o valor do transporte público que já
era o mais caro de toda Santa Catarina.
Agora o valor ficou em R$ 2,50 a embarcada e R$ 2,05 a antecipada.
Há muita discussão e até movimentos contra
o ato; mas o prefeito já sentenciou que a decisão
é exclusivamente dele.
Em Florianópolis, a briga foi grande, porém a passagem
ficou em R$ 1,90 a antecipada e R$ 2,40 a embarcada. Justamente
R$ 2,40 é quanto custava para andar de ônibus em
Joinville antes da nova investida de Tebaldi. Quando a Capital
iguala a tarifa, o prefeito decide aumentar um pouco mais. Em
Florianópolis, existe, ainda, a tarifa social: R$ 1,25
a antecipada e R$ 1,50 a embarcada.
Em outros municípios de Santa Catarina, os preços
são menores, apesar dos últimos reajustes. Em Criciúma,
a tarifa foi de R$ 1,85 para R$ 1,94; em Rio do Sul, o custo subiu
de R$ 1,85 para R$ 1,95, para estudante a passagem está
em R$ 0,97. Em Balneário Camboriú, o ônibus
leva a cidades vizinhas, como Itapema e Itajaí, por R$
2,25, ainda mais barato do que a embarcada de Joinville.
Para o trabalhador joinvilense que não tem carro e não
pega o ônibus no terminal a alta é sentida. Se forem
20 dias de trabalho por mês, ida e volta para casa no transporte
coletivo, o cidadão desembolsará R$ 100,00, quase
25% ou um quarto do salário mínimo brasileiro estipulado
em R$ 380,00. Isso sem contar com demais gastos como alimentação,
moradia, saúde e divertimento, pois todo ser humano necessita
de um descanso. Anteriormente com a passagem em R$ 2,40, o custo
ficava em R$ 96,00. Para o morador pobre da cidade, a diferença
de R$ 4,00 em uma tarifa é sentida, pois não é
somente isso que sobe. Esses R$ 4,00 correspondem a mais de 1%
do salário mínimo.
O argumento do prefeito sobre o acréscimo é que
este está abaixo da inflação de 4,9% do período
de um ano e meio, última vez em que houve um aumento na
tarifa de ônibus. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura,
as empresas de transporte público queriam a tarifa em R$
2,18.
“Este aumento é um absurdo”
A vereadora Carmelina Barjona (PP) analisa não somente
este novo acréscimo, mas o conjunto das investidas do Executivo
municipal na questão. “Se olharmos nos últimos
dez anos, temos acompanhado aumentos acima da inflação,
mais do que deveria ter sido”, afirma. Ela também
é contra o fato da decisão ser somente do prefeito.
“Em Joinville, essa legislação é competência
do Executivo, não passa pelos vereadores. Se vai para a
Câmara, o processo ficaria mais democrático. O decreto
é um ato muito autoritário”, declara. Em cidades
como Florianópolis, a democratização desse
tipo de determinação já é uma realidade.
“Esse aumento é um absurdo. É inadmissível
subir qualquer centavo na tarifa”, brada, indignado, o vereador
Adilson Mariano (PT). Ele faz denúncias graves: “A
planilha de custos mostrada pelas empresas é forjada e
manipulada. Os lucros deles são astronômicos. O prefeito
articula com as empresas e com a Comam (Conselho das Associações
dos Moradores de Joinville), que é formado por empregados
dele. Num jogo de cena, ele anunciou um aumento de 12%, para a
Comam pedir 6% e ele deixar por 4%. Ele faz com que a comunidade
se assuste, com um valor alto, para a comunidade não lutar
depois”. Para Mariano, “não devia aumentar,
pois o serviço já dá muito lucro”.
Na última terça-feira, 21 de agosto, o Comitê
de Defesa do Serviço Público realizou uma manifestação
na Praça da Bandeira, no Centro de Joinville, contra o
acréscimo da tarifa de ônibus. A frase de ordem do
movimento é “nenhum centavo a mais”. “A
passagem é a mais cara de Santa Catarina. Isso já
é argumento suficiente contra esse aumento”, fala
Moacir Nazário, secretário geral da Federação
das Associações de Moradores de Joinville (Famjo).
O comitê é composto por várias associações
de moradores, entidades, sindicatos, grêmios estudantis
e o Movimento Passe Livre.
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