| Chega a ser impressionante
a capacidade de quem não tem compromisso com a verdade
de gastar laudas discutindo o supérfluo, fazendo questão
de tentar esconder o principal.
Para A Notícia, a declaração do médico
João Koerich, que efetuou o laudo cadavérico e atestou
que a morte de Gabrielli se deu por afogamento – não
sofrendo ela qualquer tipo de violência física ou
sexual [fato que a médica do Hospital Regional, Luzinete
Soares, já havia constatado ao atender a menina] passou
a ser acessória.
Assim, apesar de todas as evidências, o jornal A Notícia
continua prestando desserviço à comunidade ao tentar
minimizar uma declaração relevante, que se torna
um item principal para derrubar a farsa armada pela polícia
e que confronta as condições da criança morta
com o interesse da Polícia Civil e promotoria em forjar
a interpretação do laudo à questionável
“confissão” obtida do pedreiro.
O principal, e que deve estar no centro das discussões,
é que o médico que fez o laudo revelou em alto e
bom som que a morte da menina foi por afogamento e que não
houve crime.
Para não voltar atrás, A Notícia prefere
criar a polêmica onde não existe e fecha os olhos
para o que realmente interessa e que a população
deseja saber: por que não reconheceu o álibi do
pedreiro? Por que não questiona a farsa montada do DNA
e a pífia reconstituição? Por que não
ouviu a médica, não revelou que ninguém dos
ouvidos pelo juiz reconheceu Oscar? Os únicos que conseguem
ver o maratonista invisível são o jornal A Notícia
e sua repórter Josi Tromm.
Os primeiros erros
A cada dia que passa desde a morte da menina Gabrielli Cristina
Eichholz, de um ano e seis meses, ocorrida em Joinville, no dia
3 de março de 2007, mais incertezas, dúvidas, contradições
e indignações surgem sobre o caso, que tem como
“suspeito” o servente de pedreiro Oscar Gonçalves
do Rosário.
Prematuramente alardeado pela polícia como um crime de
estupro e com requintes de crueldade, e aliado ao fato de ter
sido cometido em plena manhã de sábado, no interior
de uma igreja Adventista, localizada na rua Guaratinguetá,
no Jardim Iririú, fez o caso ganhar as manchetes dos principais
jornais do país.
Em 7 de março o delegado-chefe da polícia civil
de Santa Catarina, Mauricio Eskudlark, esteve em Joinville, e
em uma atitude precipitada e sem fundamentos, apontou como principal
suspeito do possível crime, um menor, de 17 anos, namorado
de Márcia Machado, prima da mãe de Gabrielli. A
declaração de Mauricio abalou violentamente o estado
psicológico do menor. No dia seguinte, Mauricio Eskudlark
anuncia um exame de DNA com o material colhido no corpo da menina
que jamais seria realizado. Com a imprensa em dúvida, e
a família de Gabrielli descontente com a declaração,
Eskudlark voltou para a capital catarinense e não se pronunciou
mais sobre o assunto.
A prisão
Na noite chuvosa do dia 12 de março desse ano, exatamente
10 dias depois da morte de Gabrielli, nos fundos da Delegacia
Regional de Joinville, dezenas de jornalistas e fotógrafos
se acotovelavam aguardando a vinda daquele que seria o responsável
pelo crime que chocou a cidade. Em um verdadeiro show da polícia,
muitas viaturas chegaram ao local vindas de Canoinhas, cidade
em que o suspeito foi preso. O que deveria ser uma prestação
de contas para a sociedade no dia seguinte, se tornou um mar de
dúvidas.
Naquela noite, o delegado regional, Dirceu Silveira Junior, diferentemente
do que acontece nesses casos, escondeu o suspeito da imprensa,
não permitindo inclusive que fossem feitas fotografias
e imagens do detido. Até um policial encapuzado desceu
algemado da viatura para confundir os jornalistas. Em entrevista
coletiva na mesma noite, o delegado responsável pelo caso,
Rodrigo Bueno Gusso, declarou que haviam prendido o servente de
pedreiro Oscar Gonçalves do Rosário, e que o mesmo
era réu confesso.
Gusso também confirmou ter havido um crime sexual, “Sim!
Houve o abuso sexual, uma violência sexual, uma agressão
física e conseqüentemente a morte da menina”,
afirmou o delegado. Essa fala também foi confirmada pelo
delegado regional Dirceu Silveira Junior, que alegou estar se
baseando na confissão e no laudo cadavérico. Entretanto,
dias depois, Oscar voltou atrás e disse ter sido coagido
através de tapas a confessar o crime. E complicando ainda
mais a situação da polícia, seis meses depois,
o médico encarregado da necropsia, João Domingos
Koerich, quebra o silêncio e declara textualmente: “Não
houve estupro e nem atentado violento ao pudor”, contrariando
todas as declarações prestadas pela polícia
até agora.
Reconstituição desastrosa
Na manhã de terça-feira, dia 13, em uma reconstituição
tumultuada e realizada às pressas, e em que houve até
uma tentativa de suicídio de uma agente de trânsito
da Conurb, mais imprecisões aconteceram. No dia da morte
da menina, acontecia na igreja um culto de inauguração
do templo.
Mais de 200 pessoas estavam presentes no local, e o pátio
onde supostamente estaria Gabrielli, estava repleto de automóveis
estacionados, além de pessoas que cuidavam dos veículos.
Mas, nada disso foi levado em conta na reconstituição
que deveria se aproximar ao máximo da realidade.
Nas imagens feitas por uma emissora de televisão, podia
se notar o pedreiro totalmente desorientado nas dependências
da igreja e sendo constantemente conduzido por policiais aos locais
onde deveria se dirigir, uma ridícula simulação
de masturbação observada com escárnio por
juiz, promotor e policiais completaram a reconstituição.
Naquela manhã, uma tentativa de suicídio ajudou
ainda mais na imperfeição da reconstituição.
A agente de trânsito, Evelise Colin
Holz, avançou sobre o coldre de um policial civil e lhe
tomou a arma, para em seguida desferir um disparo contra o próprio
peito. Evelise foi socorrida e sobreviveu.
O álibi
Outra situação que depõe a favor de Oscar
é seu álibi para a hora do crime. Segundo ele, por
volta das 9 horas e 30 minutos, estava em um telefone público
realizando uma ligação para sua mãe que mora
no município de Canoinhas, Planalto Norte de Santa Catarina.
A distância do referido telefone até a igreja onde
a menina foi encontrada agonizando, é de aproximadamente
2,5 km.
A justiça solicitou à Brasil Telecom a quebra de
sigilo do telefone público utilizado por Oscar. Após
esse procedimento, a companhia telefônica constatou que
às 9h horas e 22 minutos houve uma ligação
para o telefone celular de sua mãe, com uma duração
aproximada de 2 minutos.
Gabrielli Cristina Eichholz deu entrada no Hospital Regional Hans
Dieter Schmidt às 10 horas e 5 minutos do dia 3 de março,
portanto, não haveria tempo hábil para Oscar Gonçalves
de o Rosário cometer o crime.
A versão dos legistas
Com a declaração do médico que realizou a
autópsia, João Domingos Koerich, que diz que não
houve estupro e nem atentado violento ao pudor, ganha força
também a versão do dr. Nelson Quirino e outros dois
médicos do Instituto Médico Legal, que preferem
ficar no anonimato.
De acordo com eles, não houve crime sexual contra Gabrielli.
Para os profissionais, cada um com mais de 10 anos de experiência
em medicina legal, os ferimentos da menina são característicos
de uma queda acidental. Essa possibilidade põe em dúvida
a denúncia do Ministério Público que foi
assinada pelo promotor Andrei Cunha Amorim, que alega que a menina
foi estrangulada, jogada no chão e posteriormente sofrido
abuso sexual.
O laudo assinado pelo médico João Domingos Koerich
atesta a causa mortis por afogamento. O médico também
afirma que em momento algum citou no laudo a violência sexual.
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