Vergonha Jequeana
 
21.05.2008
Tebaldi fala em “comprar vaga”,
e JEC vira vexame nacional
 
Da redação - redacao@gazetadejoinville.com.br
 

O joinvilense conhece muito bem o prefeito Marco Tebaldi: é truculento quando se vê contrariado, ao ponto de mandar qualquer um para a “p.q.p”; vingativo quando afrontado politicamente, ao ponto de mandar toda uma comunidade para o fim da fila no cronograma de obras de pavimentação, e por não medir conseqüências, como fez quando publicou uma violenta nota contra um grupo de padres, acusando-os levianamente de terem “um passado obscuro”, só porque eles se manifestaram descontentes com os sucessivos aumentos na conta da água.

Só que desta vez todo o Brasil acabou sabendo do que Marco Tebaldi é capaz. O jornalista Diego Santos, da editoria de esportes do Jornal A Notícia, revelou nesta semana (15) detalhes da última reunião do Conselho Deliberativo do clube, em que o prefeito, que também é presidente do conselho, propôs a compra de uma vaga na série C do Campeonato Brasileiro.

Conforme o relato, o que aconteceu na Arena foi um episódio inédito no futebol brasileiro e dos mais constrangedores da história do Joinville Esporte Clube. “Vamos? R$ 50 mil, R$ 100 mil... Depois a gente convoca a torcida para pagar isso”, disse Tebaldi, sem qualquer constrangimento. Tão logo a matéria veio a publico com as declarações do prefeito, os grandes sites nacionais que tratam de esporte repercutiram a proposta que mistura incompetência com falta de ética.

O site Futebol Interior anunciou já no dia seguinte (15), em letras garrafais: “Bomba! Time catarinense quer comprar vaga na Série C”; e seguiu na mesma toada o noticioso Futebol Alagoano, a Tribuna de Criciúma, o Show de Bola do Piauí e muitos outros pelo Brasil.
Foram muitas as manifestações de indignação do público.

Leitor da Gazeta perguntou, em tom jocoso, por que o prefeito já não comprava uma vaga na série B? Ou na A? Ou ainda por que não comprava um título? Outro classificou como vergonhosa a proposta do prefeito, ressaltando que a lógica Tebaldi é a mesma de quem burla concurso público, aceita comprar um diploma universitário ou comercializa o voto de eleitores.

Imagem prejudicada em nível nacional

Não é a primeira vez que Joinville ganha mídia nacional de maneira vergonhosa por conta da ação de seu prefeito. No dia 23 de abril passado, o jornal Folha de São Paulo – e outros jornais - trouxe na capa a foto de um dos sete ginásios que tiveram a cobertura modificada para a forma de um tucano com a notícia da condenação imposta pelo juiz Carlos Adilson Silva obrigando o prefeito a mudar a arquitetura com dinheiro do próprio bolso. Conforme o juiz, a intenção de Marco Tebaldi não foi outra senão fazer promoção pessoal e ao seu partido usando a obra pública. Ali também faltaram ao prefeito um mínimo de senso ético e preocupação com as conseqüências do próprio ato. A mídia nacional se encarregou de mostrar para todo País como Tebaldi faz uso das obras e recursos públicos.

E o joinvilense também conhece a reputação do prefeito quando se trata de misturar dinheiro público com sua conta-corrente particular. Em agosto do ano passado emergiu a história do cheque de R$ 35 mil entregue ao prefeito por um estelionatário com uma folha corrida de crimes que vai do estelionato ao estupro, o mesmo que sumiu com R$ 100 mil dos cofres públicos que seriam usados na promoção de um congresso de vereadores. O estelionatário Jair Pedro da Costa Louzada, nas palavras do promotor Assis Marciel Kretzer, pagou os R$ 35 mil como propina ao prefeito. Este, por sua vez, depositou o dinheiro em sua conta particular; o cheque voltou e ele reapresentou. Como voltou novamente, quis usar advogados da prefeitura para cobrar a “propina” que não recebeu. O assunto já está sendo tratado na Justiça. O promotor entrou com uma ação civil pública (ainda a espera de uma decisão) e remeteu para a Procuradoria da Justiça os documentos necessários para uma denúncia criminal (que até agora não saiu).

E assim é o prefeito Marco Tebaldi, que agora quer comprar a vaga que o JEC, não ganhou nos gramados. Depois, a torcida paga.