O joinvilense
conhece muito bem o prefeito Marco Tebaldi: é truculento
quando se vê contrariado, ao ponto de mandar qualquer um
para a “p.q.p”; vingativo quando afrontado politicamente,
ao ponto de mandar toda uma comunidade para o fim da fila no cronograma
de obras de pavimentação, e por não medir
conseqüências, como fez quando publicou uma violenta
nota contra um grupo de padres, acusando-os levianamente de terem
“um passado obscuro”, só porque eles se manifestaram
descontentes com os sucessivos aumentos na conta da água.
Só que desta vez todo o Brasil acabou sabendo do que Marco
Tebaldi é capaz. O jornalista Diego Santos, da editoria
de esportes do Jornal A Notícia, revelou nesta semana (15)
detalhes da última reunião do Conselho Deliberativo
do clube, em que o prefeito, que também é presidente
do conselho, propôs a compra de uma vaga na série
C do Campeonato Brasileiro.
Conforme o relato, o que aconteceu na Arena foi um episódio
inédito no futebol brasileiro e dos mais constrangedores
da história do Joinville Esporte Clube. “Vamos? R$
50 mil, R$ 100 mil... Depois a gente convoca a torcida para pagar
isso”, disse Tebaldi, sem qualquer constrangimento. Tão
logo a matéria veio a publico com as declarações
do prefeito, os grandes sites nacionais que tratam de esporte
repercutiram a proposta que mistura incompetência com falta
de ética.
O site Futebol Interior anunciou já no dia seguinte (15),
em letras garrafais: “Bomba! Time catarinense quer comprar
vaga na Série C”; e seguiu na mesma toada o noticioso
Futebol Alagoano, a Tribuna de Criciúma, o Show de Bola
do Piauí e muitos outros pelo Brasil.
Foram muitas as manifestações de indignação
do público.
Leitor da Gazeta perguntou, em tom jocoso, por que o prefeito
já não comprava uma vaga na série B? Ou na
A? Ou ainda por que não comprava um título? Outro
classificou como vergonhosa a proposta do prefeito, ressaltando
que a lógica Tebaldi é a mesma de quem burla concurso
público, aceita comprar um diploma universitário
ou comercializa o voto de eleitores.
Imagem prejudicada em nível nacional
Não é a primeira vez que Joinville ganha mídia
nacional de maneira vergonhosa por conta da ação
de seu prefeito. No dia 23 de abril passado, o jornal Folha de
São Paulo – e outros jornais - trouxe na capa a foto
de um dos sete ginásios que tiveram a cobertura modificada
para a forma de um tucano com a notícia da condenação
imposta pelo juiz Carlos Adilson Silva obrigando o prefeito a
mudar a arquitetura com dinheiro do próprio bolso. Conforme
o juiz, a intenção de Marco Tebaldi não foi
outra senão fazer promoção pessoal e ao seu
partido usando a obra pública. Ali também faltaram
ao prefeito um mínimo de senso ético e preocupação
com as conseqüências do próprio ato. A mídia
nacional se encarregou de mostrar para todo País como Tebaldi
faz uso das obras e recursos públicos.
E o joinvilense também conhece a reputação
do prefeito quando se trata de misturar dinheiro público
com sua conta-corrente particular. Em agosto do ano passado emergiu
a história do cheque de R$ 35 mil entregue ao prefeito
por um estelionatário com uma folha corrida de crimes que
vai do estelionato ao estupro, o mesmo que sumiu com R$ 100 mil
dos cofres públicos que seriam usados na promoção
de um congresso de vereadores. O estelionatário Jair Pedro
da Costa Louzada, nas palavras do promotor Assis Marciel Kretzer,
pagou os R$ 35 mil como propina ao prefeito. Este, por sua vez,
depositou o dinheiro em sua conta particular; o cheque voltou
e ele reapresentou. Como voltou novamente, quis usar advogados
da prefeitura para cobrar a “propina” que não
recebeu. O assunto já está sendo tratado na Justiça.
O promotor entrou com uma ação civil pública
(ainda a espera de uma decisão) e remeteu para a Procuradoria
da Justiça os documentos necessários para uma denúncia
criminal (que até agora não saiu).
E assim é o prefeito Marco Tebaldi, que agora quer comprar
a vaga que o JEC, não ganhou nos gramados. Depois, a torcida
paga.
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