| Ele foi
contratado meses antes da eleição de 2006 para mostrar
as maravilhas da descentralização, de como o projeto
de Luiz Henrique era inovador e que finalmente a administração
do estado se fazia presente “por toda Santa Catarina”.
Em menos de dois anos sua presença se tornou um fardo,
perigoso e inconveniente.
O personagem em questão é o jornalista Ivonei Raul
da Silva, ou simplesmente Nei Silva, proprietário da Revista
Metrópole, que foi preso – na versão divulgada
pela polícia em flagrante, por agentes da Diretoria Estadual
de Investigações Criminais (Deic) na manhã
da última segunda-feira (2), na Capital, sob acusação
de tentar extorquir R$ 1,6 milhão do governo do Estado
para não divulgar um livro com supostas denúncias
contra o governador, secretários e prefeitos.
O jornalista nega a versão da polícia, diz estar
sendo vítima de uma armação e assegura que
pretendia apenas cobrar uma dívida com o governo. A Revista
Metrópole foi uma das publicações juntadas
no processo de cassação do governador Luiz Henrique
e que ainda pode lhe custar o mandato por abuso de poder econômico
e propaganda irregular. As matérias, publicadas antes da
corrida eleitoral de 2006, o próprio jornalista admite,
eram verdadeiras peças publicitárias, sempre enaltecendo
ações do governo e o projeto de descentralização.
Em seu livro, Nei Silva declarou ainda que as “reportagens”
foram pagas com dinheiro público (Estado e prefeituras)
ou por empresas indicadas pelo governo, que na época estava
proibido de fazer propaganda institucional por conta de uma decisão
judicial. E além de não receber, Silva também
acabou devendo. Ele foi multado duas vezes em R$ 21 mil pelo TRE,
reclamou ajuda, não recebeu, e desde então suas
relações com o governo azedaram de vez.
O acordo com o governo, diz, previa a publicação
de três revistas, instalação de 100 outdoors
pelo interior de Santa Catarina e a realização de
pesquisas de intenção de voto para consulta do governador
Luiz Henrique da Silveira (PMDB). Em contrapartida, ele receberia
R$ 500 mil. Mas, apenas parte do dinheiro lhe caiu nas mãos,
com as multas apertando e sem receber o combinado, resolveu editar
o livro.
Livro compromete muita gente
Há detalhes minuciosos desta relação com
agentes do governo, autoridades e empresários que recheiam
as páginas do livro que ganhou o nada sutil título
“A Descentralização no Banco dos Réus”.
São mais de 300 páginas com degravações
de conversas com autoridades e empresários que nem imaginavam
estar sendo gravados, cópias de documentos, relatos e especialmente
fotos de muito dinheiro vivo que eram repassados em sacos de lixo.
O próprio Luiz Henrique, em uma reunião na cidade
de Itá, teria conclamado os secretários presentes
a viabilizar a revista. “Quero apoio irrestrito para esta
publicação. Conto com todos vocês, precisamos
de R$ 500 mil e, se sendo governo não conseguirmos levantar
esses recursos, que governo será este? Quem for contra
mim que se manifeste agora”, teria dito o governador na
pagina 86 do livro.
Mas, o governador teria encontrado
uma saída para Nei Silva receber algum dinheiro em Joinville:
“... então nos encaminhou ao empresário Moacir
Bogo, ex-presidente da Associação Empresarial de
Joinville...Foram R$ 20 mil. Mais tarde, Bogo encaminhou um anúncio,
que solicitaria na seqüência não ser publicado,
pois tinha concessão de transporte e não seria bom
vincular ao governo do estado. Já a relação
de pagamento, honrou o compromisso na data aprazada.”
O empresário Moacir Bogo negou o contato, que não
tem conhecimento do assunto e que não conhece o jornalista.
Wander Weege e Rui Barbosa
Ainda do Norte do Estado, um aporte
de peso na busca de dinheiro entre amigos empresários.
Mas neste caso acontece algo inusitado, quase uma tirada, como
ficou registrado nas paginas 108 e 109 do livro: “A publicação
acabaria recebendo um reforço de peso, através da
participação da Malwee, encaminhado que fui para
o sr. Wilmar Robock … ele levou o pedido ao diretor da empresa,
Wander Weege. Este autorizou com uma ressalva: não queria
mídia, mas um espaço de uma página de contracapa
para uma mensagem subliminar aos catarinenses … a transcrição
de histórica mensagem de Rui Barbosa: - De tanto ver triunfar
as nulidades e a desonestidade chego a sentir vergonha de ser
honesto”.
Ministro Ari Pargendler é o relator do caso LHS/revista
metrópole no TSE
Sobre as publicações aparentemente
levadas a efeito sem recursos públicos. Suplementos especiais
veiculados em vários jornais de SC e na revista Metrópole
“Há prova farta nos autos que a publicidade
institucional o governo do Estado de Santa Catarina favoreceu
a candidatura de Luiz Henrique da Silveira mediante promoção
de seus feitos enquanto governador daquele estado.... emitir no
custo da publicidade institucional o preço da propaganda
dissimulada em outros espaços.”
“Apenas porque já é suficiente para a procedência
do pedido o reconhecimento de que a publicidade institucional,
paga, veiculou propaganda pessoal, deixo incorporar esse fundamento
a motivação do voto. Com essas considerações
após a conclusão eu voto com o relator.
E a revista Metrópole, que tem o governador Luiz Henrique
na capa diz descentralização: Luiz Henrique da Silveira
colhe primeiros resultados também do segundo plano de governo.
Essa edição mostra os feitos de onze secretarais
de desenvolvimento regional. Digo eu: tais publicações
sequer passam por arremedo de notícia. Constitui matéria
incontestavelmente promocional.
Na justificativa de Ari Pargendler, que votou pela cassação
do mandato de LHS, o ministro cita os jornais “O Informe”
e “Voz Regional”, além da revista “Metrópole”,
que publicaram material encartados em suas edições,
elogiando as “realizações de LHS. “Dizer
que os encartes são matérias jornalísticas
é no mínimo vergonhoso”, afirmou ministro.
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