| Para o
advogado Ricardo Gallotti, a prisão do dono da revista
Metrópole, Ivonei da Silva, foi pura armação.
Nei Silva foi chamado para receber o pagamento de uma dívida
e foi preso em flagrante, no dia 2 de junho no Hotel Cambirela,
em Florianópolis. Ele teria sido flagrado quando recebia
R$ 40 mil do ex-secretário de Planejamento e atual presidente
da Renaux View, Armando Hess de Souza, que agia como interlocutor
do governo. Até então, o ex-secretário de
Luiz Henrique dizia que não havia negócio algum
com Nei Silva. Mas, nesta semana, Hess admitiu ter contratado
a revista. O inquérito da prisão está nas
mãos do delegado da Deic Renato Hendges.
O advogado Ricardo Galotti admite que não havia contrato
formal pela prestação de serviço,mas insistiu
que seu cliente tem como provar o negócio com comprovantes
de pagamentos feitos pelo governo e gravações telefônicas
em que seu cliente acerta detalhes de como faria para receber
os cerca de R$ 500 mil do contrato. Foi pago cerca de R$ 150 mil,
dinheiro tirado de empresas do governo, como Badesc, prefeituras
e empresários afinados com o governador.
Nei Silva foi contratado antes das eleições de 2006
para colocar sua revista, a Metrópole, a disposição
da máquina eleitoral de Luiz Henrique. Mas, tão
logo saiu o resultado das urnas, Nei Silva reclama que ficou na
mão e sua empresa acabou falindo quando o TRE lhe aplicou
duas multas por suposta propaganda eleitoral em favor de LHS.
E foi nesta oportunidade que Nei Silva escreveu o livro contando
os bastidores das negociações com o governo, tudo
devidamente gravado.
O acordo com o governo, diz, previa a publicação
de três revistas, instalação de 100 outdoors
pelo interior de Santa Catarina e a realização de
pesquisas de intenção de voto para consulta do governador
Luiz Henrique da Silveira (PMDB), tudo ao custo de R$ 500 mil.
Mas, apenas parte do dinheiro lhe caiu nas mãos.
Explosivo
Armando Hess de Souza foi secretário
de Estado de Planejamento Orçamento e Gestão. Em
2006, fora do governo, assumiu a presidência da Têxtil
Renaux View.
Falido e sem poder para cobrar a conta, Nei Silva começou
a gravar e documentar seus encontros com membros do governo. Numa
reunião com Armando Hess, em janeiro passado, ele foi alertado,
quase em tom de ameaça, que sua sorte estaria traçada,
caso insistisse na cobrança e levasse a publico sua relação
com o governo:
“Quero te dizer o seguinte... Vamos que isso estoure, vá
pra mídia, obviamente vai criar um problema para o Governo,
eu não acredito que tenha uma conseqüência de
cassação do Governador ... Nessa situação
o que vai acontecer? Vais também criar um desgaste, isso
vai virar estresse para ti, imagina ai a coisa vai para cima de
ti, isso pode ter uma sucumbência”, disse Hess, e
continuou:
“Sucumbência, isso vai te arrombar pra tua vida inteira,
desgaste 20, 30 anos pra resolver a situação”,
explicou Armando Hess, conforme está relatado na página
226 do livro.
E Armando ainda avisou: “...tu tens a perder primeiro, piorar
milhes de vezes a qualidade da tua vida de estresse. A mídia
vai cair em cima de ti, o processo que vais ter que responder,
que o outro vai se defender, e a forma de se defender e atacando
de alguma maneira, isso vai criar um inferno dentro de sua vida”,
vaticinou, praticamente prevendo a prisão de Nei Silva.
Quem é Armando Hess de Souza
O empresário Armando Cesar Hess assumiu a Secretaria de
Desenvolvimento Econômico em 2003, mas logo foi alçado
à pasta de Planejamento, Orçamento e Gestão
do Estado. Homem de confiança do governador, Hess saiu
do governo desgastado em janeiro de 2006 depois de suspeitas de
privilegiar a empresa Práxis, de relação
estreita com a então diretora-geral da Secretaria de Planejamento,
Anita Pires.
Desde 2003, pelo menos 13 eventos, entre eles os seminários
de Descentralização e até reunião
do colegiado foram realizados pela empresa. A Praxis mantinha
sede no mesmo endereço de duas empresas da ex-diretora
de Planejamento, a Pires e Associados Assessoria e a Pires e Associados
Eventos e Congressos. As três empresas, além de outra
do filho de Anita, compartilham a mesma sala no segundo andar
de um edifício no bairro no Estreito, na Capital.
Pivô do livro “A Descentralização no
Banco dos Réus”, que traz revelações
comprometedoras sobre irregularidades em campanhas publicitárias
para a reeleição do governador Luiz Henrique ao
governo do Estado, Hess confessa que houve uma articulação
entre a revista e o governo e que ele, na qualidade de secretário,
estimulou os secretários regionais a receberem o “empresário”
para viabilizar as edições da revista.
Hess foi um dos responsáveis pela implantação
da reforma administrativa do governo Luiz Henrique, cuja marca
principal são as secretarias regionais, espalhadas pelo
Estado.
Leia também
Trechos de um supostos diálogos
entre o secretário de Estado da Coordenação
e Articulação, Ivo Carminatti e o empresário
Nei Silva que consta no livro “Descentralização
no Banco dos Réus”
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