Editorial
 
26.06.2008
O uso da máquina
 

Na manhã da última terça-feira (24), foi feito o flagrante de um caminhão contratado pela Prefeitura de Joinville entregando móveis da Secretaria da Educação no escritório do deputado Darci de Matos. Surpreendidos pela reportagem da Gazeta, os envolvidos no ilícito agiram como se fosse algo sem importância o fato de retirarem do almoxarifado da Prefeitura móveis doados para creche municipal e destiná-los a um pré-candidato apoiado pelo prefeito Marco Tebaldi .

O motorista do caminhão e a chefe do almoxarifado disseram que cumpriam ordens para que os móveis doados para as crianças carentes da cidade fossem levados para o local conhecido como a mansão do Darci. A gerente da unidade administrativa da Secretaria de Educação, Walkíria Lídia Lennert, filiada ao PSDB, em conversa gravada, admitiu a ilegalidade e tentou minimizar o fato, afirmando que os móveis levados serviriam a uma amiga contratada para trabalhar na mansão.

O que aconteceria se um servidor (comum, simples, de serviços gerais) resolvesse avançar no almoxarifado da Prefeitura e levar alguns utensílios para seus amigos ou parentes? Seria processado e possivelmente condenado à prisão. Mas, quando funcionários comissionados pilham bens públicos com caminhão pago pelo erário para “atender” a um pré-candidato a prefeito, o que acontece? Nada.

Talvez uma pista para explicar a impunidade destas pessoas que usam a máquina pública escancaradamente venha de outra declaração da gerente da Secretaria da Educação, também gravada, em que ela afirma: “Eu toco direto com o Tebaldi onde ele precisar de mim.”