| O funcionário
público Antonio Fernando Nandi revelou a reportagem da
Gazeta que após a publicação das denúncias
de desvio de móveis doados à creches para o comitê
de campanha do candidato do DEM, Darci de Matos, ele foi procurado
por uma pessoa que se identificou como Iran, funcionário
da Vigilância Sanitária. Segundo ele, Iran se apresentou
como intermediário de Darci e do prefeito Marco Tebaldi
e ofereceu dinheiro para que ele deixasse a cidade.
Nesta semana, Antonio Nandi não atendia o telefone e nem
retornava as ligações. Somente depois de muito tempo
ele voltou a manter contato. “Dormi em um hotel, estava
com medo de voltar pra casa. Estava com medo”. Diz se referindo
a pressão que vem sofrendo. Seu temor aumentou quando na
noite do dia 1º deste mês foi abordado na Rua Jerônimo
Coelho, no Centro, por quatro homens que desceram de um Vectra
com placa de São Paulo.
Nandi relata que eles o empurraram contra um muro, revistaram
seus bolsos, mas devolveram a carteira com seus documentos pessoais.
Em sua opinião, os homens com aparência de seguranças,
usando ternos, procuravam algum documento, algo comprometedor.
Tomaram seu celular e saíram ameaçando: “Você
sabe o que está acontecendo. A gente ta bem pertinho, vê
o que vai fazer, você pode se arrepender”. Temendo
pela própria vida, Antonio Nandi resolveu contar tudo que
sabia.
Antônio Fernando Nandi declarou tudo sabendo que estava
sendo gravado e se comprometeu em repetir tudo para o Ministério
Público.
Prefeito sabia do desvio
O prefeito Marco Antonio Tebaldi (PSDB) sabia da operação
que resultou na entrega de móveis da Prefeitura na Mansão-Comitê
do candidato Darci de Matos. O assunto foi tratado em um almoço
ocorrido no diretório do PSDB, no dia 23 de junho, em que
estavam presentes Marco Tebaldi, Antonio Riva (Presidente da Amae),
Cromacio José da Rosa, (Gerente da Secretaria de Saúde),
Carlos Roberto Caetano (Presidente do PSDB e chefe de gabinete
do prefeito), Wlakiria Lídia Lennert, (secretária
executiva do PSDB), e os vereadores do partido, Marco Aurélio
Marcucci, Mauricio Peixer e Luiz Bini. Além de se preocupar
em dar mais requinte e funcionalidade ao comitê-mansão
de Darci, a reunião/almoço tinha como objetivo tentar
convencer os vereadores tucanos a aceitar uma coligação
com o partido do pastor Giovanni Gonçalves (PTB) tendo
este como candidato.
Essa revelação é de Antonio Fernandes Nandi,
o homem que denunciou o desvio de móveis da Prefeitura
para o comitê de Darci de Matos. Nandi participou da reunião
a convite do vereador Luiz Bini e de Antonio Riva: “Eu encontrei
eles no Mercado Municipal. A gente tava batendo um papo e eles
me convidaram para almoçar”, explicou. Acomodado
dentro do ninho tucano, Antonio Nandi, ouviu Carlos Caetano, na
frente de todos os presentes, questionar a gerente da Unidade
Administrativa da Secretária de Educação
Wlakiria Lennert quando os móveis seriam entregues para
Darci. Intrigado com o que ouviu, Antonio Nandi saiu do almoço
e foi até o comitê eleitoral de Darci de Matos. Permaneceu
lá até o final do dia e nada constatou. Na manhã
do dia seguinte, dia 22, ele foi novamente até o local,
e por volta das 10 horas testemunhou a chegada dos móveis
em um caminhão contratado pela Prefeitura.
Móveis foram doados à creches
municipais
Na semana passada, dia 24, em plena luz do dia, funcionários
públicos, usando um veículo locado pelo município,
retiraram os móveis (que deveriam estar equipando creches
e escolas do município) do almoxarifado da Secretaria,
na rua Max Colin, antiga sede da Prefeitura, e descarregaram tudo
no comitê eleitoral de Darci de Matos. Mesas, cadeiras e
outras peças seriam usadas para equipar e decorar o belo
comitê, proporcionando um layout moderno e mais funcional.
Tudo à custa do dinheiro público. O
motorista Mauri, e mais dois funcionários da Prefeitura,
devidamente uniformizados, deixaram o almoxarifado a bordo do
caminhão Mercedes Benz, azul, placas LYC 3414, veículo
contratado pela municipalidade e rumaram para o endereço
do “comitê-mansão” na rua Henrique Mayer.
O motorista, o guarda do depósito e a responsável
pelo almoxarifado confirmaram a operação.
Indignação de quem fez a
doação
Pelo menos parte dos móveis que acabaram no “comitê-mansão”
foram doados pela empresa Koentopp Veículos. A tradicional
revenda de veículos destinou as escrivaninhas e cadeiras
para creches do município, tudo devidamente registrado
como doação ao município. O empresário
Ivo Koentopp, ao saber que os móveis doados para melhorar
o nível do ensino público estão servindo
como mesa de negociação de campanha eleitoral ficou
estarrecido. “Vocês estão brincando comigo.
Não é possível.” A indignação
do empresário reflete também o sentimento do joinvilense
que vê a utilização de uma estrutura que deveria
atender a sociedade a serviço do candidato do prefeito.
Ivo fez questão de entregar toda a documentação
sobre as doações. São declarações
de creches mantidas pela prefeitura e agradecimentos do próprio
município por sua iniciativa.
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