Quase
um mês depois de essa Gazeta denunciar o abuso e o desrespeito
às leis de Preservação do Patrimônio
e às normativas técnicas da Secretaria de Infra-estrutura
de Joinville (Seinfra), por parte do presidente da Liga de Sociedades
Joinvilense, Flávio Piazera, muito pouco mudou.
Após a Seinfra notificar o clube centenário - no
início de junho - por realizar obras sem as documentações
e alvarás necessários e do entrave com a Fundação
Cultural, que solicitou o processo de tombamento da estrutura
física e documentação do local, Piazera continuou
a descumprir a lei. Mesmo embargada, as obras continuaram normalmente,
mesmo na iminência de aplicação de multa no
valor de R$ 9.504,00.
De acordo com a gerente do setor de fiscalização
da prefeitura de Joinville, Raquel Kormann, uma notificação
de irregularidade já foi feita, e Piazera prometeu paralisar
a obra. “Fomos fiscalizar a liga e constatamos sim que a
obra estava totalmente irregular. Dois embargos, um de 2003 e
outro 2008 estão em vigor. O presidente agora tem até
o dia 19 para recorrer e regularizar a situação.
Enquanto isso, nada pode ser feito em termos de obras naquele
local”, explica.
Mesmo assim, nossa equipe de reportagem flagrou, novamente, homens
trabalhando no terreno que estas prestes a ser vendido por aproximadamente
R$ 3 milhões. Nessa quarta-feira (2), novamente os fiscais
da prefeitura foram no local, mas não encontraram os trabalhadores
porque a obra já havia sido terminada. Ao que se vê,
Piazera não se importa em ter que pagar uma multa, tão
insignificante perante o que irá receber pela venda do
local.
Tombamento –
Nessa semana, o setor de patrimônio da Fundação
Cultural de Joinville, informou que a diretoria da Liga de Sociedades
recorreu, parcialmente, do pedido de tombamento. “Tínhamos
pedido para todo o terreno que estava na escritura, o diretor
da Liga não aceitou, e recorreu. Ele quer que a conservação
seja apenas em parte daquele espaço. Agora, nos próximos
dois meses deve ser montada uma equipe de peritagem para analisar
toda a estrutura e o acervo da liga e ai deferir se tombamos ou
não a área. Até lá, qualquer modificação
na estrutura deve ser feita com autorização”,
explica o gerente de patrimônio, Raul Walter da Luz.
|