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de três horas de depoimento do empresário Ivonei
da Silva, na tarde da última quarta-feira (9) na Assembléia
Legislativa, os deputados da oposição saíram
convencidos de que havia, sim, um acordo tácito entre ele
e membros do governo do Estado para divulgar as “ações
da descentralização”, caracterizando propaganda
subliminar em pleno ano eleitoral de 2006, burlando a legislação
eleitoral. O convencimento levou os deputados do PP e do PT a
oferecerem publicamente “todas as garantias que o Parlamento
pode oferecer” para impedir que o empresário sofra
qualquer tipo de represália ou constrangimento por parte
do governo, pela sua coragem em vir a público e reafirmar
tudo o que disse no seu livro “A Descentralização
no Banco dos Réus” – onde relata, com minúcias,
supostas negociatas entre autoridades estaduais e o setor privado
para a publicação de edições da revista
enaltecendo a “descentralização” e elogiando
as autoridades.
Tranqüilo e sem se contradizer em momento algum, Nei respondeu
as perguntas de parlamentares e de jornalistas que lotaram o plenarinho
da Assembléia. Ladeado pelos deputados Silvio Dreveck (líder
do PP), Joares Ponticelli (vice-líder), Pedro Uczai (líder
do PT) e Ivan Naatz (PV), o empresário confirmou que as
tratativas para divulgar as “obras” da descentralização
começaram em 2005, com a publicação da edição
nº 35 da Revista Metrópole “mostrando a ação
da diretoria da Casan”. O dinheiro saiu da própria
Casan “e de fornecedores” para viabilizar a publicação.
Seguiu-se uma edição enfocando o Badesc e foi a
partir daí que o então secretário do Planejamento
do governo do Estado, Armando Hess , “convocou” Nei
para levar adiante um projeto que compreendia a publicação
de três edições, outdoors e de “pesquisas
não-autorizadas”, uma espécie de “feedback
informal que era levado ao governador Luiz Henrique”.
Diante do delegado Renato Hendges, titular da Deic, Nei Silva
reafirmou que sua prisão “por extorsão”
foi uma armação construída pelo governo e
uma “traição” de Armando Hess, no dia
em que ele apenas tentava receber parte do que o governo lhe devia
pelos serviços prestados: o valor acertado com o governo
foi de R$ 500 mil, mas só tinha recebido parte disso (R$
336 mil). Somando-se o lucro cessante e o que deixou de receber,
também, por uma publicação especial destinada
ao Sul do Estado (“onde o então vice-governador Eduardo
Morteira aparecia 23 vezes”), a dívida do governo
para com Nei seria, atualmente, de R$ 1,46 milhão.
Diante do delegado, inclusive, Nei disse que o governo “pressionou”
a polícia e que não deixava que ele falasse com
a imprensa. “O delegado foi gentil, profissional e amigo,
e ele que me abriu esse espaço”, comentou o empresário.
Ele revelou ainda que recebeu ameaças, tanto de Hess quanto
do ex-titular da Codesc e tesoureiro do PMDB, Içuriti Pereira,
denunciando que temia por sua integridade física.
Nei declarou que o secretário da Articulação,
Ivo Carminatti, “sonegou a verdade” quando falou que
manteve contato apenas uma vez com ele. “Nos encontramos
umas seis vezes no próprio Centro Administrativo, além
de contato telefônico”, contou o empresário.
Carminatti, que sempre negou qualquer contato com o empresário,
aliás, foi desmentido também pela gravação
de contatos telefônicos entre ele, Hess e Nei, que foi amplamente
divulgada pela RBS-TV.
Nei asseverou que está cuidando dos detalhes para a comercialização
do livro. “Ele vai para as livrarias e não vou mudar
uma vírgula do que está ali. Afinal, a verdade está
do meu lado”, enfatizou.
Entenda o caso
Março de 2005 Nei
Silva publicaria três revistas, colocaria dezenas de outdoors
pelo Estado e faria “pesquisas de opinião”.
Pelo serviço, receberia a quantia de R$ 500 mil.
O secretário de Planejamento
do Estado, Armando Hess “estimularia” os secretários
regionais a abrirem as portas dos empresários fornecedores
e amigos do governo para que Nei Silva pudesse faturar.
Além de fornecedores e amigos
do governo, a revista Metrópole emitiu notas fiscais de
serviço para várias prefeituras e também
para o BRDE, Badesc e Codesc, configurando uso do dinheiro público
em promoção pessoal.
Junho de 2006 O esquema começou a ruir.
Segundo Nei Silva, o então presidente da Codesc (e tesoureiro
do PMDB) Içuriti Pereira e o secretário de Comunicação,
Derly Anunciação, ordenaram que parasse de “cobrar”
as faturas dos “anunciantes” porque era véspera
de eleição e não seria legal executar devedores/apoiadores.
Nei acertou que não cobraria mais os empresários.
O pagamento seria feito diretamente pelo governo. A primeira parcela
(de R$ 40 mil) teria sido paga no diretório do PMDB de
Florianópolis. E duas parcelas de R$ 40 mil na empresa
Renaux, do ex-secretário Armando Hess de Souza.
Segundo Nei, o Governo já
teria pago R$ 336 mil.
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