| Márgara Hadlich, responsável pelos contatos comerciais da revista Metrópole, também contou com o incondicional apoio do secretário regional de Joinville, Manoel Mendonça. No entanto, a relação também foi marcada pelo descontentamento dos empresários Moacir Bogo e Beno Harger, que pagaram R$ 20 mil a mando do secretário regional de Joinville.
Márgara conta que foi até a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Joinville para tratar com o secretário Manoel Mendonça sobre a indicação dos patrocinadores da revista em Joinville. Porém, Márgara foi atendida por um grupo de jornalistas. “De cara eles me disseram não”. Márgara estranhou que justamente no reduto do governador Luiz Henrique da Silveira, ela não estava obtendo a atenção esperada. “Naquele dia, eu não consegui falar com o Manoel e fui embora”, conta Márgara.
Mas o encontro de Márgara e Manoel Mendonça era apenas uma questão de tempo, já que ela estava presente em quase todos os eventos do governo do Estado. Em uma reunião do colegiado em Balneário Camboriú, no hotel Marambaia, Márgara encontrou Mendonça e disse ao secretário: “Puxa, eu fui tão mal recebida na tua Secretaria”. De acordo com Márgara, preocupado, Mendonça pediu detalhes de como a representante da Metrópole havia sido tratada. Após ouvir as reclamações da funcionária da revista, o secretário informou que resolveria a situação, e resolveu.
O outro lado – A assessoria de Bogo e Harger afirma que os empresários não tiveram encontro com os representantes da revista e não contribuíram com dinheiro.
“Ele tirou do cofre o dinheiro e jogou em cima de mim”
Dias depois, Manoel sugeriu que ela procurasse os proprietários da Transtusa e da Gidion, as duas empresas permissionárias do transporte coletivo em Joinville, cada um deles iria contribuir com R$ 10 mil. “Primeiro eu levei o boneco do projeto para o Moacir Bogo, da Gidion. Na sala dele, eu expliquei que era um projeto do governo do Estado.” O empresário não satisfeito com a contribuição que teria que desembolsar, bradou. “Eu vou ligar para o Maneca (Manoel Mendonça)”. Márgara detalha a conversa entre Bogo e Mendonça: “Pois é Maneca, a menina da revista tá aqui, como é essa história? É mesmo de interesse do Lulu (LHS)?”, Moacir Bogo ouviu de Mendonça que ele deveria efetuar o pagamento. Márgara também revela que havia entendido que o dono da Gidion é quem pagaria os R$ 20 mil, mas, Bogo afirmou que somente pagaria R$ 10 mil. O empresário pediu o número da conta bancária da Metrópole e efetuou o deposito no Besc.
Dias depois Márgara foi até o empresário Beno Harger, da Transtusa. “Ele tirou do cofre o dinheiro e jogou em cima de mim. Eu argumentei que teria que tirar uma nota fiscal, mas, ele bastante irritado disse que não queria nada”. Márgara ainda descreve que ouviu de Harger o seguinte. “Não, não, não quero nada. Eles já me mordem demais. Esse Maneca vive me mordendo, esse filho da p...”, desabafou o empresário. Márgara diz que emitiu uma autorização de veiculação mas Beno Harger, não assinou.
Logo depois desse episódio, Márgara lembra que houve uma comemoração enorme do PMDB, no Centreventos Cau Hansen. “Na ocasião Luiz Henrique foi recebido por muitas pessoas. Eu estava lá, bem na frente do governador, quando um dos jornalistas da Secretaria Regional de Joinville veio em minha direção com uma revista Metrópole nas mãos e abriu em minha frente, bem nas fotos do Manoel Mendonça e das obras de Joinville. O jornalista olhou para mim e balançou a cabeça em um gesto de desaprovação”, Márgara encarou o jornalista e disparou: “Querido, eu sou funcionária, o meu trabalho é fazer o que me mandam, se pagaram nós publicamos”. Ela foi além: “Se eu não consegui contigo, eu fui até Deus”, disse se referindo a Manoel Mendonça.
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