A reprodução de conversas legalmente interceptadas pela Polícia Federal na Operação Satiagraha expõe claramente a estratégia do banqueiro Daniel Dantas na batalha pelo controle do Estado. Os diálogos mostram quem ele realmente é, do que ele era capaz para chegar aos seus objetivos.
A análise dessas transcrições permitiu ao colunista Kennedy Alencar, da Folha de S. Paulo afirmar: “O banqueiro Daniel Dantas se aproximou de muita gente no PT por uma razão simples: não conseguiu chegar ao presidente da República, ao contrário do governo tucano. Isso é um fato. Em conversas reservadas recentes, Lula agradece os alertas que Luiz Gushiken lhe fez na campanha de 2002 e no primeiro mandato a respeito dos objetivos e métodos de Dantas.”
Kennedy vai além, afirmando que “a briga que Gushiken comprou com Dantas incomodou muita gente no governo. Inclusive Lula, gerando torpedos da mídia teleguiados pelo banqueiro do Opportunity. Mas foi graças a Gushiken que Daniel Dantas não conseguiu se sentar à mesa com Lula como fazem Emílio Odebrecht e Jorge Gerdau. Para usar uma imagem ao gosto do PT pré-Marcos Valério, o proletário presidente preferiu tratar com a burguesia de verdade.”
As mesmas transcrições deram ao jornalista Bob Fernandes, do Terra Magazine, a certeza de que Lula sabia desde março de 2007 dos contornos da operação que Dantas e seu grupo chamavam de “Estratégia Presidencial”. Segundo Fernandes, a estratégia era, foi, desde sempre “ajudar a bombardear Lula, derruba-lo se possível, impedir sua reeleição se tanto não se conseguisse”.
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