Tolerância zero
 
21.07.2008

Na maior cidade do Estado, polícias afrouxam a fiscalização

 
Windson Prado
 

Com um mês em vigor em todo o território nacional, a Lei 11.705/08, que vem sendo chamada de tolerância zero, poucos motoristas joinvilenses foram parar atrás das grades. A normativa altera a tolerância de álcool aceitável por litro de sangue de seis, para zero miligrama.

De acordo com a Polícia Militar, em Joinville, até a noite da última sexta-feira (18) nenhuma operação específica para fiscalizar os motoristas foi montada. “Adaptamos a lei durante nossas atividades rotineiras de fiscalização do trânsito. Quando notamos que o motorista está sob o efeito ou consumo de álcool, solicitamos que o mesmo faça o teste do bafômetro. Também utilizamos esse equipamento quando nos deparamos com acidentes. Fora isso, não estamos realizando outro tipo de fiscalização”, comenta o responsável pelo setor de Trânsito da PM de Joinville, tenente Gelasio Pires.

No entanto, devido à intensa movimentação da cidade – motivada pela realização do Festival de Dança – uma operação de proporções moderadas foi montada na noite de ontem na região da Via Gastronômica. A atividade iniciou por volta das 20 horas. Durante quase seis horas os policiais militares atuaram de forma preventiva. Mesmo assim, segundo a polícia poucas irregularidades foram encontradas durante as abordagens.

No último levantamento realizado pela PM, 29 pessoas haviam sido detidas por terem bebido acima do limite permitido.

O tenente conta também que a PM trabalha com 23 guarnições, e que todas estão orientadas a fazerem a fiscalização. “Até o início do mês, 29 pessoas foram flagradas dirigindo sob o efeito de álcool, elas foram autuadas, tiveram suas CNHs recolhidas, e seus veículos retidos”, finaliza.
Não é difícil perceber jovens fazendo o consumo de álcool e em seguida dirigindo pelas vias, o que raramente se percebe é uma amplo trabalho de fiscalização em frente aos points da cidade. Resta saber se a fiscalização continuará após o Festival.

PRE e PRF ainda não prenderam ninguém

Nas estradas do Norte catarinense a fiscalização também é bastante tímida. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), algumas operações estão sendo montadas em locais e horários estratégicos, mas nenhuma prisão foi efetivada ainda. “Nós fizemos algumas operações, até agora já autuamos 11 pessoas que estavam dirigindo embriagadas. Mesmo assim não prendemos ninguém. É bastante complicado fiscalizar essa Lei, a tolerância e muito baixa, a comunidade reclama muito. Mas lei e lei e vamos punir quem for pego em situação irregular”, explica o Inspetor da PRE, em Joinville, Adílio Paiano.

Hoje a PRF possui 5 bafômetros na região de Joinville. Já na Polícia Rodoviária Estadual esse número é de apenas 2, sendo que um desses fica em São Francisco do sul.

PM prende quatro no final de semana

A Polícia Militar prendeu quatro pessoas sobre a acusação de embriagues ao volante nesse final de semana. A primeira ocorrência foi no sábado. Francisco Lira, de 49 anos foi detido após invadir a calçada da rua Vasco da Gama, no Adhemar Garcia, e atropelar o menor LRO. A vítima sofreu trauma na coluna. No teste de bafômetro ficou comprovada a embriagues do condutor que foi levado a Delegacia Central de Polícia.

No final da tarde, Ronaldo Alves, de 40 anos, também foi preso após trafegar embriagado pela rua João de Souza Melo, no Cubatão. À noite, na rua Max Colin, Ronaldo Alves foi preso após a PM constatar que ele conduzia um veículo na contra mão. O teste do bafômetro apontou que Ronaldo estava sobre o efeito de álcool. Ele também foi levado à Central.

Na manhã de domingo, mais uma prisão. Luiz Alberto Espíndola conduzia um automóvel na contramão, na avenida Getúlio Vargas, embriagado.

Mortes no trânsito devem diminuir

O trânsito tem sido um grande motivador de mortes em Joinville. Segundo a Conurb (Companhia de Urbanismo de Joinville), Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, o consumo de bebida alcoólica está presente na maioria dos casos.

A lei de Tolerância Zero, sendo mais severa, pode amenizar o número de vítimas da combinação álcool e direção. “Nós entendemos que todas as tentativas de fazer com que o trânsito se torne um local mais seguro, seja ela em investimento em melhoria de infra-estrutura ou na legislação, e importante.

Mas, sobretudo, o que se precisa é rediscutir as regulamentações e o próprio código de trânsito, e que a fiscalização das normativas sejam rigorosas e assim forçar uma conscientização a longo prazo. Só assim os números de acidentes e vítimas do álcool, venham a diminuir”, comenta o comandante operacional, Heitor Ribeiro Filho.