Eleições 2008
 
21.07.2008

Debate morno no primeiro
encontro entre prefeituráveis

 
Da Redação
 

Se o eleitor estava esperando discussões acirradas, cobranças e revelações bombásticas no debate promovido pela TVBV com os candidatos à Prefeitura de Joinville, saiu decepcionado. Comedidos e engessados pelas regras do debate, os candidatos da oposição não perguntaram nada sobre os móveis levados da Prefeitura para o candidato do prefeito, que também acabou poupado de falar sobre suas contas rejeitadas. Além disso, o extenso editorial do empresário Saul Brandalise, as falhas na produção do programa e o pouco tempo para que candidato pudesse questionar seu adversário fizeram com que o programa cumprisse o papelde apresentar o candidato ao eleitor. Nas intervenções populares, os eleitores deixaram claro quais são as mazelas que fazem com que a atual administração caia na desaprovação popular. Os temas que mais mereceram críticas foram a saúde e a segurança pública, deixando um certo desconforto para o candidato que representa o continuísmo da atual administração municipal. Os candidatos Kennedy Nunes (PP), Carlito Merss (PT) e Rogério Novaes (PV), e Rodrigo Bornholdt (PDT), com uma postura independente, estavammais à vontade por não terem vínculos com a administração estadual ou municipal. Já, o candidato Mauro Mariani (PMDB/PPS) tentou mostrar sua experiência administrativa como ex-prefeito de Rio Negrinho.

Debutante em debates na TV, Darci de Matos
se mostrou desconfortável


Visivelmente desconfortável, o deputado estadual Darci de Matos (DEM/PSDB), pouco propôs, preocupando-se apenas em defender a atual administração tucana do prefeito Marco Tebaldi. Uma das perguntas mais importantes do debate foi formulada pela jornalista Maria Odete Olsen,que questionou Darci se ele teria coragem de mexer na área da saúde, secretaria que foi alvo de vários escândalos de corrupção que resultaram, inclusive, na prisão do ex-secretário Norival Silva. Ele desconversou e aproveitou mais uma vez para enaltecer a administraçãoTebaldi. Mariani criticou a atual situação da saúde pública, classificando-a de subdimensionada, enquanto o engenheiro Rogério Novaes aproveitou para propor a construção de dois hospitais: um na zona Norte e outro na zona Sul da cidade. Na área da segurança pública, o candidato Rodrigo Bornholdt (PDT) propôs uma megassecretaria de segurança e desenvolvimento social e a manutenção dos trilhos para uma linha de passageiros. Kennedy Nunes se preocupou em ser propositivo. Sugeriu aproveitar melhor os servidores para os cargos com comissão como forma dediminuir a folha; a instituição de clinicas públicas para areabilitação de dependentes químicos e policlínicas para atendimento àsaúde. O candidato Carlito Merss falou de seu empenho para trazer o Cefet, a UFSC, recursos para as obras do São José e para obras de saneamento. Mariani concordou com o preço caro da água, sugeriu a adoção de VLTs (veículo leve sobre trilhos) para diminuir a lotação de ônibus ereclamou do alto custo do Centreventos.

Candidato da situação tentou defender Tebaldi

Darci participou do debate mais preocupado em defender as deficiênciasda administração Tebaldi que mostrar o que pretende fazer dediferente. E além do visível nervosismo, Darci também deu azar de terque responder a pergunta do presidente da CDL sobre os corredores de ônibus. Pediu paciência para os comerciantes e insistiu na defesa da proposta do prefeito. Concluindo sua participação, o candidato do prefeito exaltou Joinville dizendo que a cidade está crescendo “com planejamento e qualidade de vida” e fez questão de se referir ao governador Luiz Henrique como seu amigo.

Surpresa ficou por conta de Rogério Novaes, do PV

A surpresa neste primeiro debate ficou por conta da participação doengenheiro Rogério Novaes (PV). Falou com desenvoltura, irônico sem ser desrespeitoso e inteligente nas criticas à atual administração. Falou sobre a necessidade obras na Saúde e sugeriu que os outros se mantivessem no parlamento para ele governar. Por último, criticando oscorredores implantados recentemente pelo prefeito, Novaes disse que “não vai fizer uma pintura no asfalto e dizer que revolucionou otransporte coletivo”. Foi o mais contundente e espirituoso no primeiro debate entre os candidatos.