Festival de Dança
 
24.07.2008

Desclassificados por um possível engano, grupo reclama da organização do Festival

 
Windson Prado
 

Uma possível injustiça tem revoltado os ânimos de um grupo de dança da cidade de Piedade, São Paulo. Os bailarinos da categoria Meia-Ponta da Academia Sheilas Ballet, enviaram o material de inscrição para a categoria danças populares – conjunto infantil. Eles foram aprovados pela comissão que analisava as fitas dos grupos e foram inseridos na programação.
Na expectativa de dançar no maior Festival de Dança do mundo, os bailarinos, os coreógrafos e pais dos alunos da academia chegaram a Joinville animados. Mas o otimismo e alegria em se apresentar durou pouco, conforme conta a coreógrafa do grupo, Sheilla Santos. “Nos escrevemos em danças populares, resolvemos fazer uma dança irlandesa que usa o hard shoes, que é uma técnica que os bailarinos utilizam um sapato que faz barulho. Mandamos o vídeo e fomos aprovados na seletiva. Só que esse ano eles modificaram o regulamento, e na opinião de alguns grupos esses regulamento ficou dúbio, isso porque, não fica claro que um grupo não pode trazer sapateado na categoria de danças populares. Porque a dança irlandesa é uma dança popular folclórica da Irlanda, e ficou claro para nós que o sapateado irlandês poderia ser apresentado.

Pressão começou logo na chegada

Segundo a coreógrafa Sheilla Santos, quando o grupo chegou à Joinville as pressões iniciaram. Eles já tinham percebido o erro. A coordenação do festival falava para nós que não sabia se poderíamos ou não dançar nessa categoria. “Queriam que a gente se apresentassem na noite do sapateado. Depois de muita falação, e de dor de cabeça, decidiram que nós iríamos dançar – nessa hora a cabeça das crianças [de 10 a 12 anos] já estava a mil, imagine só, você ensaiar, viajar, chegar aqui e não apresentar? Elas são crianças – Hora eles falavam, ah não vão dançar hoje, vão dançar amanha, depois falavam não, vocês vão dançar hoje, mas vai ser anunciado que vocês não estão concorrendo... sabe o dia todo ficou nessa confusão por um erro da organização”, desabafa

Mas no fim eles subiram ao palco. “Após a apresentação não recebemos nenhuma mensão honrosa. O que não é nenhum problema, ademais quando nos escrevemos sabíamos que poderíamos ganhar ou não. O problema maior foi que após a apresentação a equipe de jurados revelou que nós formos realmente o melhor grupo, e eles deram o prêmio para nosso grupo. Porém, a organização vetou a decisão dos jurados, devido ao sapateado de nossa coreografia, o que é um injustiça. Que festival e esse gente, que organização é essa. Queremos uma resposta. Queremos o prêmio que nos pertence. Do que adianta tudo isso, vir, dançar, competir, ganhar e não receber nossos troféus, como ficará o ânimo e a auto-estima dessas crianças? Nossos filhos não podem pagar por um erro de uma organização malfeita!, questiona.

Direção resiste, mas assume o erro

“O Festival de Dança de Joinville é serio, mas cometemos sim um equívoco”. Assim começou a fala da integrante da comissão artística do 26° Festival de Dança de Joinvile, Ângela Nolf. Depois de muita conversa contando o entrave desde o início, a coordenadora assume que a comissão errou ao julgar a inscrição do grupo como Dança Popular e não sapateado.

“Nesse ano fizemos algumas modificações no regulamento. Ao que parece a professora não entendeu direito as novas normativas que dizem que nas danças populares não poderão haver sapateado. Nós também erramos quando analisamos os vídeos. Eles deveriam migrar para a categoria de sapateado e não danças populares. Eles estavam aqui, não podíamos deixar com que eles não dançassem por isso eles se apresentaram como estava na programação.

Após a apresentação a comissão achou melhor desclassificá-los uma vez que apresentaram um sapateado. Hoje [terça-feira, 22] outra reunião foi realizada onde a comissão artística resolveu se redimir do grupo dando a mençao honrosa e dançam novamente junto a quem também recebeu esse premio de incentivo”, esclarece.