EXCLUSIVO
 
31.07.2008

Refém vive minutos
de terror em Joinville

 
Rogério Giessel
 

A promotora de vendas, Patrícia Dombrowski (foto), 25 anos, que foi mantida refém pelo detento que matou um policial militar dentro do PA Sul, em Joinville, contou com exclusividade à Gazeta de Joinville, como foram os minutos de terror que viveu enquanto era ameaçada por Odair Rogério Oening, 33 anos. “As informações que passaram na TV foram totalmente distorcidas, não correspondem com o que realmente aconteceu.”

Odair assassinou o policial militar Sidnei Rodrigues, 44 anos, na noite do último dia 29. O crime ocorreu por volta das 20 horas e 30 minutos, no interior do PA Sul. Momentos depois, o detento também foi morto a tiros pela polícia. Patrícia, que mora ao lado do PA 24 horas, no bairro Itaum, saía de sua casa em direção a uma farmácia que fica ao lado daquela unidade de saúde, nesse momento, ela foi abordada por Odair, que havia acabado de matar o policial. Ele entrou no carro de Patrícia, um Ford Ka, placas LYK 6654, e obrigou ela a dirigir pelas ruas dos bairros Fátima, Guanabara e Floresta, sempre com um revolver apontado para ela.

Extremamente abalada, a promotora de vendas disse que durante os cinco minutos que se sucedeu, ninguém soube que ela havia se transformada em refém. “Os policiais não perceberam que ele entrou no meu carro”, revelou. Segundo Patrícia, foram os vizinhos que viram e avisaram seu irmão, Elton Luiz Dombrowski, sobre o que estava acontecendo. Elton, por sua vez, informou a polícia.

Patrícia conta que Odair estava bastante ferido. “Ele estava com três dedos decepados, algemado e segurando o revólver.”

Oening disse a ela que havia levado um tiro na mão de um agente penitenciário quando saía de dentro do PA. De acordo com Patrícia, esse não era o único ferimento dele. “Ele tinha um corte enorme na perna, feito a faca, ferimento que motivou sua ida ao PA. Tinha também um tiro de raspão na barriga. Ele tava todo cheio de sangue.”

A situação ficou ainda mais tensa quando o foragido disparou um tiro no interior do veículo, era uma tentativa de se livrar da corrente que o prendia pelos pés. Patrícia revelou que a ação não deu certo. Depois disso, ela relata que ouviu Odair repetir várias vezes que havia matado um policial e eles (policiais) iriam atrás deles, e caso ela o entregasse, também iria morrer. Muito confuso, Odair pedia insistentemente o celular de Patrícia para se comunicar com alguém. A promotora de vendas afirma ter ouvido Odair se lamentar várias vezes. “Não deu certo, eu não queria ter matado.”

Ainda dirigindo pelas ruas da zona sul, ele comentou com ela. “Eu tenho apenas uma bala e se você não se comportar ela será pra você.”
Apavorado, Oenning determinou que ela mudasse de direção. “Ele encostou o revolver na minha barriga e pediu para eu levar ele para a BR”.

Encontro com a polícia

Patrícia descreveu que a situação ficou dramática quando a polícia os encontrou. “Quando fomos abordados por seis carros da polícia, ele se apavorou. Eu disse pronto, meu carro vai virar peneira e nós dois vamos morrer agora. Eu entrei a 100 por hora em uma curva de estrada de chão, o carro derrapou, quase bati em um poste. Foi quando ele se jogou. A polícia veio atrás de mim e não viu quando ele se jogou. Todo mundo abordou o meu carro, eu saí correndo com a mão na cabeça. Eles dispararam três tiros, não sei se contra o meu carro, ou contra ele.” E concluiu: “Depois, ainda algemado e com as correntes no pé, ele se jogou do carro e a polícia demorou para achar ele.”


A versão do 8º batalhão da PM

Segundo o site do 8º Batalhão de Polícia Militar, o policial militar Sidnei Rodrigues escoltava o detento Odair Oenning, para fazer curativos no PA Sul, no bairro João Costa. De acordo com informações, Odair provocou um corte na perna ainda no presídio, para ser levado ao hospital. Assim que chegaram no PA, por volta das 20 horas, o preso pediu para ir ao banheiro,e as correntes presas ao tornozelo do preso, foram retiradas. Percebendo que o detento demorava a sair do sanitário, o soldado foi verificar e deparou o preso portando uma arma de fogo. Na tentativa de desarmar o preso o policial militar foi atingido com cinco disparos de pistola calibre 380 e morreu na hora. Testemunhas informaram que um homem havia entrado no banheiro minutos antes do detento.

O preso fugitivo abandonou o Ford Ka na rua Caibi, bairro Itaum, e entrou em um matagal. Logo após ele se escondeu em uma casa na rua Wenceslau Braz. Percebendo que o cachorro estava agitado, o proprietário da residência pediu para que uma viatura fosse verificar.

Quando os policiais entraram no terreno, foram surpreendidos pelo foragido saindo de um depósito com uma arma na mão. Durante a troca de tiros Odair foi atingido e morreu no local.
Várias viaturas foram mobilizadas e minutos depois uma guarnição abordou um homem ferido por arma de fogo na rua Passo Fundo, no bairro Fátima.

Márcio dos Santos Rangel confessou ter dado cobertura para o preso.