Editorial
 
31.07.2008

Meio ambiente sem seriedade

 

A devastação de 118 mil m2 de vegetação de mata atlântica secundária, em avançado estágio de regeneração, localizada em um morro na zona sul de Joinville, e com topo acima da cota 40, mostrada com exclusividade por esta Gazeta na edição passada, causou grande impacto na população e também entre os ecologistas.

A comparação das fotos atuais, após o corte da vegetação, com imagens obtidas por satélite, feitas meses antes, dão a exata dimensão da devastação ocorrida no local.

Nesta semana, a Fundação Municipal do Meio Ambiente de Joinville (Fundema) e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) se apressaram em se eximir de suas responsabilidades.

O DNPM explicou que só expede o alvará de mineração com alvará prévio expedido pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fatma). A Fundema afirmou que o licenciamento para mineração não é de sua responsabilidade, atribuindo a autorização à Fatma.A gerência da Fatma, em Joinville, por sua vez, afirmou que a autorização é de sua competência, mas as licenças foram autorizadas por dois técnicos de Florianópolis.

Este episódio retrata o jogo de “empurra” existente entre os vários níveis de governo. Daí fica fácil entender por que Estado e município batem cabeça quando o assunto é legislação ambiental. Pesquisa divulgada em maio deste ano, pela organização não-governamental SOS Mata Atlântica, indica que dos 13 estados avaliados, Santa Catarina foi o estado que mais desmatou no período de 1995 a 2005, contabilizando 45.530 hectares destruídos, o que representa um aumento de 7% no nível de desmate. É preciso mais seriedade ao se tratar o caso. É incompreensível que organismos de governo exijam a aplicação de um ultrapassado Código Florestal no centro da cidade enquanto áreas com real importância para o meio ambiente sejam entregues à foice com tamanho desleixo.