Política
 
13.08.2008

Metrópole: Prova confirma contribuição da Transtusa

 

Em doses homeopáticas, o empresário Nei Silva vai apresentando as provas sobre as acusações que faz em seu livro, “A descentralização no banco dos réus.” Dessa vez, Nei apresentou um recibo supostamente assinado por Beno Harger, proprietário da empresa Transtusa, uma das permissionárias do transporte coletivo em Joinville. O documento contraria a afirmação de Harger, que negou ter contribuído com a revista Metrópole. A revista, conforme o autor do livro, tinha como principal objetivo enaltecer as obras do governo estadual e a descentralização. Na verdade, um esquema montado por Luiz Henrique da Silveira para burlar a legislação eleitoral nas eleições de 2006.

Os indicados por Manoel Mendonça para contribuir

Na edição de número 204 dessa Gazeta, a responsável pelos contatos comerciais da revista Metrópole, Márgara Hadlich, reforçou as acusações feitas por Nei Silva, e soltou o verbo contando tudo o que sabia sobre o esquema. Entre as acusações de Márgara, uma dizia respeito a Joinville. Em sua peregrinação pelas Secretarias Regionais, em busca de indicados que contribuíssem com patrocínios para a revista, a funcionária da publicação encontrou resistência de um grupo de jornalistas da Secretaria de Joinville, e naquele dia, nem chegou a conversar com o secretário Manoel Mendonça. Porém, segundo Márgara, o encontro entre ela e Manoel foi apenas uma questão de tempo. Dias depois, em uma reunião com o colegiado do governo estadual, ocorrida no hotel Marambaia, em Balneário Camboriú, a conversa entre os dois foi inevitável. Indignada com a recepção pouco calorosa que recebeu em Joinville, e que contrariou o acordo feito entre a Metrópole e o governador, Márgara cobrou de Manoel Mendonça um tratamento melhor. “Puxa, eu fui tão mal recebida na tua secretaria”, relatou Márgara ao secretário. Na ocasião, Mendonça indicou dois empresários para contribuir, cada um com R$ 10 mil. Eram eles, Moacir Bogo e Beno Harger, proprietários das empresas de transporte coletivo Gidion e Transtusa. No entanto, a relação também foi marcada pelo descontentamento dos empresários, que desembolsaram R$ 20 mil a mando do secretário regional de Joinville.

Primeiro foi Moacir Bogo, da Gidion

Ela descreveu como foi seu contato com os empresários. “Primeiro eu levei o boneco do projeto para o Moacir Bogo, da Gidion. Na sala dele, eu expliquei que era um projeto do governo do Estado.” Bogo, não satisfeito com a contribuição que teria que desembolsar, bradou. “Eu vou ligar para o Maneca (Manoel Mendonça)”. Márgara detalha a conversa entre Bogo e Mendonça: “Pois é Maneca, a menina da revista tá aqui, como é essa história? É mesmo de interesse do Lulu (LHS)?”, Moacir Bogo ouviu de Mendonça, que ele deveria efetuar o pagamento, e o fez através de um depósito no Besc.



Recibo diz que Beno Harger, da Transtusa, deu R$ 5 mil

Alguns dias depois, Márgara foi até o empresário Beno Harger, da Transtusa. “Ele tirou do cofre o dinheiro e jogou em cima de mim. Eu argumentei que teria que tirar uma nota fiscal, mas, ele bastante irritado disse que não queria nada”. Márgara ainda descreve o que ouviu de Harger: “Não, não, não quero nada. Eles já me mordem demais. Esse Maneca vive me mordendo, esse filho da p...”, desabafou o empresário. Márgara disse que emitiu uma autorização de veiculação, mas Beno Harger não assinou. Entretanto, existe um recibo emitido pela revista Metrópole, que contesta essa versão de Márgara. Conforme o recibo, Beno teria pago o valor de R$ 5 mil e supostamente assinado o documento apresentado como prova por Nei Silva. Procurado para falar sobre o assunto, Beno Harger informou através de sua assessoria que não teria nada a declarar sobre o recibo apresentado por Nei Silva.