Política
 
21.08.2008

Instalação da GM não está condicionada a nenhuma candidatura

 
Sergio Sestrem
 

A construção da fábrica de motores da General Motors em Joinville está dentro do cronograma de planejamento e independe de quem venha a assumir a prefeitura em janeiro de 2009.
A afirmação é do diretor-geral da GM Powertrain LAAM, engenheiro Adhemar Nicolini. “Não há relação nenhuma entre a instalação da unidade em Joinville com qualquer nome que venha a ser o prefeito. A decisão foi tomada por critérios técnicos, não políticos”, deixou claro o executivo. O engenheiro frisou que os diferenciais apresentados pela cidade, tais como a excelente infra-estrutura, a alta qualificação da mão-de-obra e o fato de Joinville já sediar um consolidado pólo metal-mecânico foram determinantes.

Nicolini esteve na tarde da última segunda-feira (18) na cidade, participando da VII Semana de Engenharia Mecânica da Udesc/Joinville juntamente com o diretor de manufatura de motores e transmissões da companhia, o engenheiro Robson Bastos.

Por cerca de 40 minutos, os executivos discorreram sobre o início das operações da General Motors no Brasil e também deram detalhes de como funcionará a unidade de Joinville que será construída às margens da BR 101 em um terreno de aproximadamente 500 mil m2.

Em paralelo à VII Semana de Engenharia Mecânica, também está sendo realizada a VIII Semana de Engenharia Elétrica. Os dois eventos iniciaram no último dia 18 e acontecem até o próximo dia 22, oferecendo, gratuitamente, aos estudantes e à comunidade em geral, atividades extracurriculares como palestras e minicursos.

Além do reitor da instituição, Sebastião Iberes Lopes Melo, e de seu vice, Antonio Heronaldo de Sousa, outra personalidade que participou do evento foi o diretor-presidente do Grupo WEG, o engenheiro Harry Schmelzer Jr. Ele foi o palestrante da VIII Semana de Engenharia Elétrica, falando sobre competitividade.

Cronograma de instalação está sendo cumprido

A LAAM é a divisão responsável pelas operações na América Latina, África e Oriente Médio e está presente em nove países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Egito, África do Sul e Quênia. Os centros de engenharia ficam no Brasil.

Para os diretores, o cronograma de instalação da fábrica de motores de Joinville está sendo rigorosamente cumprido. Na última semana, a Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) concedeu a licença ambiental de instalação (LAI) à empresa, o que permite o início imediato das obras. Ainda neste mês iniciam os trabalhos de terraplenagem.

Quando entrar em operação, num prazo de 17 meses, a unidade de Joinville produzirá cerca de 120.000 motores/ano e 80.000 cabeçotes, todos para exportação. O diretor de manufatura, Robson Bastos, fez questão de lembrar que a fábrica terá módulo de produção flexível e utilização de equipamentos CNC.

Produção já foi ampliada em 30 mil
cabeçotes antes do início das obras


Mesmo antes de iniciar as operações da unidade fabril de Joinville, os executivos da GM tiveram de rever as projeções. Eles afirmam que devido à alta demanda do mercado automobilístico, a planta será ampliada. Dos cerca de 50 mil cabeçotes previstos para serem produzidos anualmente, serão fabricadas 80 mil unidades. “Graças à atual política econômica do governo federal, o país experimenta uma forte demanda interna e nós precisamos estar preparados para suprir o mercado”, anunciou o diretor da GM Powertrain LAAM, Adhemar Nicolini.

Na semana passada, outra empresa confirmou mais um investimento de vulto. O presidente da Mercedes-Benz na América do Sul, Gero Hermann, anunciou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que investirá R$ 1,5 bilhão na fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo.

Os investimentos, ao longo de três anos, a partir de 2009, serão para o aumento da capacidade de produção de caminhões e ônibus, além da modernização da fábrica. A produção diária será aumentada em 25%.

Gero Hermann informou que fará novas contratações na unidade de São Bernardo do Campo, que tem atualmente 12 mil trabalhadores. A definição do número de novas contratações, no entanto, está em fase de planejamento.

Em julho, a Toyota já havia anunciado a construção da segunda fábrica da montadora de automóveis no Brasil. A construção começará em 2009, em Sorocaba, também em São Paulo, e a produção de veículos em 2011.

O secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, disse que o acordo automotivo do Mercosul vem propiciando que o Brasil atraia cada vez mais investimentos. Segundo ele, a importação de autopeças no último ano foi de US$ 10 bilhões e o Brasil deve ganhar novos investimentos no setor (de autopeças) nos próximos anos. Ramalho disse ainda que a integração com o Mercosul faz com que as empresas se sintam estimuladas a investirem no Brasil.

Acadêmicos interessados nas contratações

A palestra de abertura da VII Semana de Engenharia Mecânica também foi a oportunidade para os futuros engenheiros saberem como será feita a contratação de funcionários. Com um auditório totalmente lotado, mais de cem acadêmicos tiveram a oportunidade de perguntar aos diretores da General Motors como será feita a contratação dos profissionais pela empresa.
O diretor de manufatura da GM LAAM, Robson Bastos, afirmou que inicialmente a empresa deve contratar um engenheiro civil para o começo das obras. Depois serão contratados profissionais de outras áreas. “Todos passarão por treinamento”, lembra o executivo.

Ao todo, serão contratados aproximadamente 500 profissionais entre engenheiros e técnicos. Atualmente, cerca de 93% dos funcionários da empresa tem curso superior, 15% possuem mestrado ou doutorado e 5% dos mensalistas estão treinamento.

Os executivos também afirmaram que a empresa poderá firmar parcerias com instituições técnicas ou universitárias da cidade, como ocorre em outras municípios onde a GM atua.
A inscrição para concorrer a uma vaga na futura unidade de Joinville será feita exclusivamente via internet no site www.chevrolet.com.br, no link “trabalhe conosco”.