Geral
 
21.08.2008

Assalto de “mentirinha”
quase acaba em tragédia

 
Rogério Giessel
 

Manhã de sábado, dia 16, dois homens adentram sorrateiramente no prédio da Prefeitura Municipal de Joinville, um deles armado com uma pistola anuncia um assalto. A ação dos supostos marginais causou pânico entre os vigias, que naquele momento participavam de um treinamento sobre segurança em elevadores. Tudo não passou de uma infeliz e fracassada simulação de assalto, realizada sem qualquer medida de segurança. Nem mesmo a Polícia Militar foi comunicada do que iria acontecer. O desastroso faz-de-conta expôs a integridade física e moral de funcionários da prefeitura e da empresa terceirizada, Khronos Segurança Privada Ltda. Segundo funcionários, foi uma situação extremamente perigosa.

O coordenador de segurança da Prefeitura Municipal de Joinville, Rosalino Alves dos Santos, 52 anos, convocou vigilantes da prefeitura e da empresa Khronos para participarem de um treinamento de rotina, porém, em determinado momento, entra no saguão da prefeitura Rudnei Ramos dos Santos, 28 anos, e Alex Sandro de Souza, 31 anos, que se faziam passar por assaltantes, Rudnei, é filho de Rosalino.

Durante o falso assalto, o vigilante da Khronos, Gilmar Ferreira do Vale, 42 anos, sob a mira de uma arma de pressão foi jogado no chão e agredido a chutes por Rudnei. A arma utilizada é muito similar a uma arma verdadeira e estava nas mãos de Alex. “Eu tive que ser atendido em um pronto-atendimento. O que aconteceu dentro da prefeitura foi muita humilhação.”, desabafou Gilmar. Segundo outros funcionários que também estavam na prefeitura naquele momento, ninguém sabia do suposto assalto, apenas Rosálino, Rudnei e Alex, tinham conhecimento do perigoso procedimento. O fato também é confirmado pelo vigilante da prefeitura, Edson Araújo, 42 anos. Ele também presenciou a truculência empregada. “Isso poderia ter terminado em mortes”, disparou. Outro funcionário da prefeitura que não quis se identificar relatou que devido ao susto, um vigilante que possui problemas cardíacos passou mal.

Apavorado, vigia chama a PM

O que os organizadores não contavam é que os “marginais” não conseguiriam dominar todos os funcionários. Durante o “assalto”, o vigilante da Khronos, Izaias Rodrigues Sousa, 40 anos, correu apavorado para um banheiro e, através de seu celular, acionou a Polícia Militar, que enviou oito viaturas e cerca de 20 policiais. A primeira chegou à prefeitura às 9h44. A última deixou o local às 11 horas e 38 minutos. Foi um período de quase duas horas em que policiais que deveriam estar zelando pela segurança do joinvilense, deixaram suas atividades para atender uma situação que poderia ter sido evitada.

Elizeu Teodoro, responsável pela área de segurança da empresa Khronos, atribuiu a Rosalino Alves dos Santos a responsabilidade da operação. Já Rosalino não quis comentar sobre o assunto. De acordo com ele, devido ao período eleitoral, não iria se manifestar sobre o assunto. “Quem dará uma posição sobre isso é a assessoria da prefeitura”, alegou o servidor. Por sua vez, a Prefeitura Municipal de Joinville, através do jornalista Rogério Caldana, informou que todas as medidas de segurança para o evento foram tomadas. Inclusive a polícia foi comunicada através de um ofício enviado por Rosalino, e protocolado no 8º Batalhão de Polícia Militar, no dia 13 de agosto. Mas, não foi bem assim. A policial militar Silvia confirmou que recebeu o documento. Entretanto, o major Adilson Moreira atribuiu o episódio a uma falha na comunicação de Rosalino sobre o evento. O oficial explicou que o documento enviado à corporação informava que o treinamento aconteceria no dia 16, às 9h15. Portanto, um dia antes da efetiva simulação, e que 15 minutos antes o responsável avisaria a PM. “Nós aqui na emergência 190, não recebemos o aviso.”, alegou o major.