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28.08.2008

Ele bebe, sim, e faz questão
de mostrar no Orkut

 
Windson Prado
 

O advogado do motorista que atropelou e matou o adolescente Silvio Amaral da Silva, de 13 anos, no bairro Fátima, na noite do último domingo (24), afirmou que seu cliente declarou não ingerir bebidas alcoólicas devido sua religião. Entretanto, informações em um site de relacionamento, mantidas pelo próprio motorista na internet, contrariam suas declarações.

O autor do atropelamento se apresentou à polícia na última segunda-feira (25). Ele assumiu ser o motorista que dirigia o veículo naquela noite. A Polícia Civil já havia identificado o auxiliar de mecânico Ricardo Guedes de Melo, de 19 anos, e aguardava seu comparecimento na delegacia. A pista surgiu a partir de um pedaço da placa do automóvel Gol, de cor cinza, que se desprendeu do carro com o impacto da batida. Denúncias da comunidade, também apontavam Ricardo como o motorista que matou o adolescente.

Bom menino

De acordo com o advogado Jorge Batista Antunes, seu cliente não fazia uso de bebida alcoólica em virtude dos princípios adotados por sua religião. “Ricardo é um bom menino. Ele é evangélico e, portanto, não consome nenhum tipo de bebida alcoólica. Infelizmente foi uma fatalidade o que aconteceu (atropelamento e morte do menino). Por isso estamos aqui para que tudo seja esclarecido”, justificou Antunes, ainda na porta da delegacia de trânsito, no bairro Floresta.

Segundo o advogado, essa foi a declaração que Ricardo deu em seu depoimento à polícia. No entanto, a alegação do motorista contradiz as informações que constam em seu perfil, no site de relacionamento Orkut. Na página pessoal de Ricardo, constam comunidades que fazem apologia ao consumo de bebida alcoólica, contrariando o álibi de que ele seria evangélico e por isso não bebia.

Fora do ar

Em sua página pessoal, Ricardo também afirma beber socialmente. Porém, em nova entrevista realizada na terça-feira, dia 26, o advogado voltou a reafirmar que seu cliente é evangélico e por isso não consome bebidas alcoólicas. Na página constavam também recados ofensivos de uma pessoa revoltada com o ocorrido. Coincidentemente, na manhã de quarta-feira, dia 27, fotos, perfil, recados e comunidades de Ricardo haviam sido apagados.

Advogado fala em fatalidade, mas comunidade vê diferente

Na delegacia, Ricardo não quis falar com a imprensa. O advogado do acusado, Jorge Batista Antunes, destacou que, na verdade, o ocorrido foi uma fatalidade. “Ricardo estava vindo da casa da namorada, após participar de uma sessão de filmes. De repente, ele viu Silvio atravessar a frente do carro numa bicicleta, o que culminou com o violento impacto. Diante da ação dos populares, ainda em estado de choque, Ricardo preferiu ir para casa. Ele comunicou os pais, que foram até o local do acidente – a duas quadras de sua casa – e conferiram que o socorro estava a caminho, mas o menino já estava sem vida”, destaca o advogado.

O delegado do caso, Laurito Akira Sato, tem 30 dias para concluir o inquérito. Ele ainda não qualificou a conduta de Ricardo. “Quero ouvir algumas testemunhas, tanto de defesa quanto de acusação, estou esperando também o resultado da perícia no local do acidente, para então concluir o tipo de homicídio em questão. Vale lembrar que o Ricardo não tinha nenhuma passagem na polícia e também não possui nenhum registro de envolvimento em acidentes, todavia, ele não possui carteira de habilitação e fugiu do local do acidente, o que pode agravar a situação do condutor”, finaliza. Ricardo Guedes Melo pode ser indiciado por homicídio doloso ou culposo.

Um comerciante que tem sua loja nas imediações de onde aconteceu o atropelamento denuncia as atitudes irresponsáveis de Ricardo. Ela prefere não se identificar, mas conta que o comportamento do jovem é péssimo. “Quando aconteceu o acidente ouvimos uma forte freada e em seguida um barulho muito alto. Com o impacto da colisão o garoto foi jogado a uma distância de 50 metros. O motorista chegou a olhar para trás, mas fugiu. Nesse tempo, ele bateu de novo em dois muros. Eu acho que ele tentou se esconder na oficina em que trabalha próxima, que fica a duas quadras do local do acidente”, revela a comerciante.