Medidas que podem evitar o suicídio

Medidas que podem evitar o suicídio

Tentativa prévia de suicídio e presença de transtorno mental são os dois mais importantes preditores de suicídio. Um indivíduo com história de tentativa prévia aumenta em 40 vezes a chance de suicídio em comparação com a população geral.

Na última década, os indivíduos que tentaram suicídio foram o foco da maioria dos estudos epidemiológicos. Um estudo multicêntrico com 9 países descobriu que 10 a 18% da população relatava ideação suicida e que 3 a 5% já tinham tentado suicídio.

 O comportamento suicida é composto por um conjunto de cognições e comportamentos disfuncionais, cujo fim pode ser a morte do indivíduo. Embora erros de julgamento e diagnóstico do potencial suicida sejam inevitáveis, os erros de omissão são previsíveis se o avaliador executar o exame completo do risco de suicídio.

Nesta medida, os médicos, principalmente de atenção primária e de emergência, desempenham um papel fundamental nesta campanha contra suicídio. É preciso diferenciar, nos serviços de emergências, as chamadas tentativas de suicídio das intoxicações exógenas, dos traumatismos, das queimaduras, dos ferimentos por arma de fogo ou arma branca e dos acidentes automobilísticos.

O suicídio e a tentativa de suicídio demandam atenção de clínicos e cirurgiões do pronto-socorro e consomem grandes recursos de saúde, passando a ser considerados, na última década, como um problema considerável de saúde pública.

 É fundamental que os profissionais médicos saibam como avaliar adequadamente o potencial suicida, como reconhecer os indivíduos suscetíveis antecipadamente e quando liberar o paciente após uma tentativa frustrada de autoeliminação.

Infelizmente não há testes preditivos ou critérios clínicos que possam dizer antecipadamente quem cometerá ou não suicídio. Este texto tem como objetivo ajudar a identificar e avaliar pacientes com ideação suicida ou com tentativas de suicídio anteriores, além de auxiliar numa adequada orientação e encaminhamento ao tratamento.

Fatores Ambientais que Aumentam o Risco dos Suicídios

Algumas pessoas que têm um ou mais dos principais fatores de risco acima podem se tornar um suicida em face de fatores em seu ambiente, tais como:

  • Um evento de vida altamente estressante como perder alguém próximo, perda financeira ou problemas com a lei
  • Estresse prolongado devido a adversidades como desemprego, conflitos de relacionamento sério, assédio ou intimidação
  • Exposição ao suicídio de outra pessoa, ou ao gráfico ou contas sensacionalista de suicídio, causando o catastrófico efeito de contágio
  • Acesso a métodos letais de suicídio durante um período de risco aumentado

É importante lembrar que esses fatores não aumentam risco de suicídio para as pessoas que já não são vulneráveis por causa de um distúrbio mental preexistente ou outros fatores de risco importantes. A exposição ao estresse ambiental extremo ou prolongada, no entanto, pode levar a depressão, ansiedade e outros transtornos que por sua vez, podem aumentar o risco de suicídio.

Fatores Protetores que Podem Reduzir os Suicídios

Fatores protetores para evitar os suicídios são características ou condições que podem ajudar a diminuir o risco de suicídio. Enquanto esses fatores não eliminam a possibilidade de suicídio, especialmente em pessoas com fatores de risco, podem ajudar a reduzir esse risco. São eles:

  • Conexões positivas para a família, colegas, comunidade e instituições sociais tais como o casamento  que promove a resiliência

  • As habilidades e a capacidade de resolver problemas

Factores protetores podem reduzir o risco de suicídio, ajudando as pessoas a lidar com eventos negativos em suas vidas, mesmo quando esses eventos continuam durante um período de tempo. A capacidade de lidar ou resolver problemas reduz a chance de que uma pessoa se torne oprimido, deprimido ou ansioso.

Conheça os Principais Fatores de Risco e Evite os Suicídios

Evitar os suicídios devem ser prioridade atualmente, sobretudo ao analisar os dados recentes que, infelizmente, indicam um aumento no número de casos em países em desenvolvimento como Brasil, Índia, China e Rússia. Os principais fatores de risco são:

  • Transtornos mentais, em especial

  • Depressão ou transtorno bipolar (maníaco-depressivo)

  • Álcool ou abuso de substâncias ou dependência

  • Esquizofrenia

  • Transtorno de personalidade ou comportamento anti-social

  • Transtorno de conduta, sobretudo na juventude

  • Transtornos psicóticos; sintomas psicóticos no contexto de qualquer transtorno

  • Transtornos de ansiedade

  • Impulsividade e agressividade, especialmente no contexto dos transtornos mentais acima relacionados

  • Tentativas de suicídios anteriormente registradas

  • História familiar de concluído ou tentativas de suicídios

  • Condição médica séria ou dor prolongada e sem solução aparente

  • É importante ter em mente que a grande maioria das pessoas com transtornos mentais ou outros fatores de risco de suicídio não vão, necessariamente, se envolver em comportamentos que levem aos suicídios.

Sobre Rogério Giessel