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Em qualquer outro lugar decente Ada De Luca seria demitida, diz Miguel Teixeira, ex-presidente da OAB
Nem mesmo a presença da Força Nacional de Segurança, instalada há uma semana, em Santa Catarina, inibiu a onda de ataques promovida por facções criminosas. A situação deixa evidente que os mandantes não se sentem coagidos com a força-tarefa, pelo contrário, a estratégia parece ter até motivado os criminosos a “partirem para o ataque”.
Sucateada desde a gestão Luiz Henrique da Silveira (PMDB), à frente do Governo do Estado, a segurança pública de SC, tem se mostrado ineficiente para conter a onda de crimes. A falta de preparo dos responsáveis pelas pastas relacionadas à segurança coloca em xeque o modus operandi dos governantes: utilizar cargos de extrema importância para promover ou alocar apadrinhados políticos, sem pesar as consequências que esta decisão pudesse oferecer.
A maior prova disso é que, apesar do pânico instalado no Estado e da pressão exercida pela sociedade, a secretária de Estado da Justiça e Cidadania Ada Faraco De Luca, se mantém intocável no cargo.
O ex-presidente e conselheiro honorário vitalício da OAB, Miguel Teixeira Filho, por exemplo, usou a rede social para expor sua revolta com a permanência de Ada na secretária de Justiça. “Em qualquer outro lugar decente do mundo ter uma secretária estadual que não sabe o que acontece nos seus domínios, isso, somado ao terror que estamos sendo submetidos nas ruas, daria a demissão sumária do secretário”, defende Teixeira. (Após a divulgação da notícia na versão impressa do jornal Gazeta de Joinville, Miguel tirou o desabafo do ar).
Os novos ataques desta semana ofuscaram o clima de “volta à normalidade”, propalado quando o reforço policial prendeu 25 supostos mentores dos atentados e transferiu 40 criminosos do Estado a presídios federais.
Os ataques criminosos na segunda-feira (18) elevaram para 111 o total de ocorrências, em 36 cidades, desde o dia 30 de janeiro.
A mais grave foi registrada à 0h, em Rio Negrinho, onde três homens invadiram a garagem de uma empresa de turismo e queimaram três ônibus.
O circuito de câmeras gravou a chegada dos criminosos, mas eles não foram reconhecidos porque usavam “vestes longas” e estavam “com os rostos cobertos”, segundo o boletim de ocorrência.
Pouco depois, à 1h35, foi queimado o carro de um morador de Joinville. O veículo estava na garagem.
O comandante da PM em Santa Catarina, Nazareno Marcineiro, disse que a tendência é que os ataques diminuam com as operações em andamento.
Ele está coordenando as tropas da Força Nacional de Segurança, que chegaram ao Estado na sexta-feira (15) e agora trabalham em barreiras nas divisas catarinenses e dentro das penitenciárias.